Ultras de coração

Pela Estrada
Caminhando eu vou
De bandeira e cachecol na mão
Levo no peito
O amor que tenho
Pelo Clube do meu coração

GOAS, CLAQUES, ULTRAS

São palavras que nos últimos tempos andam de boca em boca, infelizmente não pelas melhores razões.

Grupos Organizados de Adeptos como lhe querem chamar agora, para ficar bem na fotografia e permitir que outros ilegais passem pelos pingos da chuva…ou, então, simplesmente CLAQUES. As tão famosas Claques!

Esse nome tão horrível, tão odiado e temido por tantos e que tantos outros fazem disso uma forma de vida. São malucos, são delinquentes, são imorais, são doentes, mas são aqueles que nunca abandonam, os que estão sempre presentes!

Ser Ultra é ser, pertencer a uma Família!

Ser Ultra não é ter um cartão de uma claque qualquer numa carteira XPTO para mostrar aos amigos.

Ser Ultra não é só ir para a Curva cantar e bater palmas.

Ser Ultra não é só ser adepto da claque quando há um jogo qualquer.

Ser Ultra não é só aparecer vestido com as cores do Clube.

Ser Ultra não é só isto mas é também isto e muito mais!

Ser Ultra é Atitude!

Uma maneira de ser, uma forma de estar, aguerrida, apaixonada de sentir o clube que se ama com uma intensidade desmedida e incontrolável.

Ser Ultra é estar sempre na linha da frente na defesa e no apoio.

Defesa e apoio, apoio e defesa, constantes, 24 horas por dia, 7 dias por semana. É um vício, uma necessidade, uma droga, uma perdição!

A Vida que escolhemos ou a Vida da qual não podemos fugir!

Costumo falar sobre mim nos textos que escrevo. Hoje não será assim! Vou falar dos Meus! Da família que escolhi e que me acolheu. Dos Ultras que conheço e admiro. Daqueles que dão tudo.

Vou falar Dos Ultras do Coração!

“ Em qualquer lugar,

De qualquer maneira,

É só Olhar prá Curva que eu vou lá Estar”

Sabem o que é largar tudo e IR?

Deixar família, filhos pequenos, oportunidades, festas, férias, ignorar saúde, rebentar com o guito, tudo mas tudo mesmo ficar para segundo plano e IR….só IR…. Estar lá presente, porque sim, porque se sente que é o que deve e precisa de se fazer.

Uma missão! A missão do Ultra na defesa e apoio intransigente aos seus!

E quando não se está, sofre-se, pois sente-se esse vazio dentro do peito. Está-se sempre presente mesmo quando essa presença não é física. Mas há quem o faça sempre! Há quem sempre esteja presente. Nas bancadas, nos estádios, nos pavilhões, nas ruas, nas carrinhas e autocarros, nas sedes. Levam consigo as bandeiras, os cachecóis, os tambores, os megafones, os potes de fumo, a voz, as palmas, o incentivo, a palavra certa, o querer vencer.

As suas caras são conhecidas dos atletas e de todos! São os Ultras que ai vêm! Aqueles que nunca falham! Não têm idade, género, profissão, raça ou religião. São todos UM SÓ!

Obvio que as vitórias animam.

Obvio que as derrotas pesam.

Mas não é isso que os derruba. Não é isso que os faz Amar menos. Desengane-se quem assim pensa. Mais que certo que a falta de compreensão e de apoio de todos que os rodeiam custa. Custa sim, dói e muito porque julgam uma parte pelo todo e isso não é justo! Mas quem conhece um Ultra não pode lutar contra ele porque isso significa lutar contra a sua natureza, contra a sua essência.

É uma batalha perdida porque desde o princípio que se conhece e se aceita a sua “Guerra”: defesa e apoio, apoio e defesa. É a energia, a força, o querer, o acreditar que faz os Ultras avançar!

Nasci para o Mundo Ultra tarde demais! Longe de tudo e de Alvalade, foi difícil estar sozinha nesta forma incompreendida de ser e de sentir. Lutar contra o estigma que está enraizado na sociedade, de que as claques é tudo uma “bandidagem e gente maluca” é quase impossível, pois a complacência de uma comunicação social vendida a interesses vários é forte e passa uma imagem destorcida e negativa.

Muito mais quando se é Mulher. Onde já se viu? Mulheres que deviam estar a cuidar dos filhos e dos maridos ou namorados ali aos saltos feitas malucas. Apetece-me dizer a esta gente LOL.

Venham connosco!

Vocês não sabem nada. Falam sem sequer perguntar ou tentar compreender.

Não entendem quando fazemos turnos duplos para compensar uma saída durante a semana ou quando pedimos férias antecipadas. Não entendem os pedidos feitos aos pais, amigos e vizinhos para ficarem com os miúdos só mais aquela vez. Não compreendem nem aceitam os olhos inchados e o sorriso apagado das nossas segundas-feiras.

Nem fazem um esforço que seja para compreender, que para nós, Ultras, não basta ser do Clube, não basta ir ver os atletas. É preciso viver o Clube, sentir a paixão sempre à flor da pele! Para nós é tudo no limite!

O apoio, a dedicação, a devoção, o esforço, a moral, os adereços, as faixas, a pirotecnia, os cânticos, a alegria de estarmos juntos, a cerveja, os amigos, os amigos e a cerveja.

Vestimos a camisola nº 12 Sempre!

Somos o elemento que faz a diferença. Somos nós os ativos, os ídolos, as estrelas, pois somos nós que nunca rescindimos, que nunca traímos, que nunca viramos costas.

Para um Ultra não há lugares sentados, não há cadeiras confortáveis, não há Inverno com frio e chuva ou Verão com calor e escaldões. Para um Ultra o lugar é sempre o mesmo. Na Curva. Seja onde for. Em casa ou fora, atrás da equipa ou das equipas onde quer que a sorte e os caminhos nos levem.

Falando por mim e por outros que como eu são Ultras fora de Lisboa, são muitos os kms que se fazem, muito dinheiro gasto em gasolina e portagens, em comboios, em boleias combinadas à pressa. Só para Ir. Para estar e ser presente. Para fazer a festa. O desporto é isso mesmo ou deveria ser: Uma festa. E quem faz a festa? As claques!

Não somos Escumalha! Quem nos chama isso é gente canalha! Temos sim uma maneira diferente de viver o desporto. É como disse à flor da pele.

Não é fácil estar na Curva! 90 minutos sem parar no apoio e na defesa. A seguir orientações do nosso líder, sempre com um olho no jogo e outro nele.

Todos temos que ser um e ao mesmo ritmo. Ninguém pára. Ninguém pode parar. Como uma orquestra em que cada um toca um instrumento diferente e onde todos têm que estar em sintonia.

O que seria dos jogos, dos relvados, dos pavilhões, sem o colorido das claques? Sem o rufar dos tambores? Sem as bandeiras a esvoaçar? Sem as faixas de incentivo? Sem os tifos? Sem os nossos cânticos?

O que é Alvalade agora? No que se transformou Alvalade nos últimos tempos? Respondam-me vocês por favor!

Um cemitério! Um jazigo dos restos mortais do que outrora foi uma Curva unida e forte, arrebatadora, elogiada por essa Europa fora. Tantas noites sem dormir a organizar as transfertas. Tantas horas tiradas ao sono a fazer coreografias. Tanto tempo passado a controlar os bilhetes para que nada falhe. Tantos dias sem pensar em nada mais do que simplesmente IR.

Protocolos? Falem-me de protocolos, meus amigos. O nosso principal protocolo é o compromisso que temos para com o Clube que amamos. Precisamos de ajuda para nos mantermos? Sim claro que precisamos. E digo-vos com franqueza que muito mais mereceríamos pois se existe alguém e algo que identifica o Sporting são as suas Claques.

Os miúdos que se chegam a nós vêem por que querem fazer parte desta União. Não aparecem por causa de títulos ou campeonatos! Se assim fosse poucos jovens teríamos connosco e outros que já cá andam desmobilizariam. Não é isso que acontece, muito pelo contrário.

Desde cedo, desde tenra idade que se deslumbram com o espetáculo dado na Curva pelas claques, pelos Ultras do estádio. Por vezes até se esquecem e nem olham para os artistas da bola.

Muito respeito por nós! Somos Ultras de coração e o nosso é Verde e Branco! Onde e sempre que estiver alguém a envergar e a levar ao peito o nosso símbolo, é lá que vamos estar.

Não somos ralé, nem pessoas delinquentes como nos querem fazer ser. Como em todas as famílias, há gente boa e gente menos boa que faz porcaria e que mancha a nossa imagem. Rivalidades extremas levam a isso? No meu entender sim, mas não só.

O que leva também a que este clima crispado aconteça é a falta de um controlo das autoridades em punir quem ataca, quem mata, quem esfaqueia e quem passa incólume. Impunidade total para uns e para outros a delinquência noticiosa. Isso revolta, causa mau estar e um nó no estômago difícil de digerir.

Porém tudo aguentamos, a tudo resistimos. Pelo Sporting cá estamos como sempre estivemos e sempre estaremos.

Sporting Sempre

Pelo Sporting Tudo!

Isto é a nossa Doença, a nossa Crença, a nossa Fé, a Nossa Vida.

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