#Olympia – Armstrong e o nada

Para esta nova semana trago a atualidade de uma das modalidades que mais gosto, o ciclismo.

Lance Armstrong

Começando por um dos assuntos do momento, o regresso de Lance Armstrong. Não nos traz nenhuma novidade até agora, mas depois do sucesso que foi a minissérie “The Last Dance”, a ESPN, no seu espaço de documentários “30 for 30”, decidiu fazer regressar Lance Armstrong prometendo novidades em relação ao texano.

A verdade é que, nestes 2 episódios que já saíram, a única “novidade” é Lance Armstrong estar com uma postura um pouco diferente, numa tentativa de mostrar que mudou, mas na realidade continua igual a si mesmo. De todas as “novidades”, nenhuma na realidade o é.

Já se sabia que Lance tinha começado a usar substâncias dopantes ainda jovem e antes do cancro. Lance apenas admitiu em público o que já se sabia, isto é, Lance começou a dopar-se na sua primeira época como profissional, na altura com cortisona que era a droga de eleição do pelotão naquela altura.

Ele apenas admitiu aquilo que já se sabia. No seu primeiro ano como pro, ano da sua primeira grande vitória, o jovem Lance, na altura com 21 anos, um quase desconhecido e um dos mais novos naquela edição dos mundiais, bateu o consagrado Miguel Indurain e todos os super favoritos, como o belga Johan Museeuw, entre muitos outros. E assim foi campeão do mundo em 1993, na cidade de Oslo.

Era o início do que viria a ser o super Lance. Dali até ao começo da parceria com o Dr. Michele Ferrari e o começar a usar EPO foi um tirinho. O próprio não nega que tudo isto foi antes do cancro, que pode ter sido causa do uso de EPO.

Lance Armstrong é sempre um tema delicado e muito complexo, que aqui apenas falo de uma forma muito resumida.  Para falar do Lance é preciso falar das varias fases: do super atleta que ele é desde a adolescência, de como aos 21 anos demonstrava que o empenho e a persistência compensavam. Um Lance que, aos 21 contava, ao mundo como tinha sido marcante o abandono do pai e o crescer com a mãe que fazia esforços para ele praticar desporto. Na altura da vitória do mundial, o jovem Lance começava a dar nas vistas e foi dando até parar devido ao cancro.

Depois disso, tivemos uma nova fase do Lance, o da superação. Um Lance que inspirava tudo e todos. Um Lance que vencia tudo e todos, mas que, na verdade, estava assente numa mentira, num Lance manipulador, maquiavélico e que não hesitava em usar todos os meios para conseguir o que queria.

Resumindo, este documentário, até agora, não traz nenhuma novidade e o Lance que temos na primeira pessoa está longe do jovem inspirador ou do exemplar Lance que ultrapassou o cancro. É um Lance que não tenta usar uma linguagem mais politicamente correta, como fez ao longo dos anos. De resto continua sem conseguir mudar ou esconder o Lance fanfarrão e egocêntrico que já todos conhecíamos.

Neste documentário, Lance de vez em quando tenta mostrar que está diferente, como quando pede desculpa a todos os que ele afetou. Mas 10 minutos depois, diz que não se arrepende nada e que consegue dormir tranquilamente.

Não mudou nada, simplesmente perdeu quase tudo e tem uma nova oportunidade de falar, de contar a sua verdade e de ser notícia, mas até agora não nos traz nenhuma novidade em relação a nada.

Calendário 2020

Em relação a novidades sobre provas, temos um novo calendário, ainda com muitas dúvidas como em quase tudo. Com o Covid-19, várias questões se levantam no regresso a uma quase normalidade

A questão das viagens e das fronteiras é uma delas. Se o governo colombiano admitiu abrir uma exceção permitindo, assim, que os muitos ciclistas colombianos possam viajar para a Europa, muitos outros governos ainda nada disseram.

Falando de provas em Portugal, a primeira será um contra-relógio de 30 quilómetros, no dia 5 Julho, seguido de duas provas a 11 e 12 de Julho que vão servir para testar medidas sanitárias para a Volta a Portugal. Volta esta que mantém as datas programadas de 29 de Julho a 9 de Agosto, embora a federação continue em reuniões com a DGS e as dúvidas continuem a ser muitas.

Lá fora, a primeira corrida masculina está a decorrer no Vietname. Uma corrida do calendário asiático com um pelotão de pouca qualidade mas que este ano está a ter uma maior atenção

No calendário feminino a primeira corrida irá ser na Turquia, o GP Ercyies no dia 11 de Julho. A nível europeu, a primeira corrida masculina em princípio irá ser o Sibiu Tour, ou seja, a Volta à Roménia que irá decorrer de 2 a 5 de Julho.

No calendário do World Tour, seja masculino ou feminino, a primeira corrida vai ser a clássica italiana, Strade Bianche a 1 de Agosto. Falando das grandes voltas, o Tour de France passa para Agosto, com partida a 29 de agosto e chegada aos míticos Champs-Élysées a 20 de Setembro. O Giro de Itália passa para Outubro, do dia 3 ao dia 25. E se na Grã-Bretanha e Suíça todas as corridas foram adiadas para 2021, em Espanha muitas delas também o foram e só em 2021 (se entretanto não acabarem algumas delas, porque o risco existe) vão para a estrada.

Além do adiamento de muitas corridas, a Volta a Espanha foi penalizada em relação a todas as outras grandes voltas pela redução em uma semana da corrida, mas a Vuelta será de 20 de Outubro a 8 de Novembro. Nas grandes voltas femininas, falamos apenas do Giro Feminino de Itália que vai ser de 11 a 19 de setembro.

Federação Portuguesa Ciclismo

Por cá, tivemos uma grande polémica. O presidente da federação, o antigo ciclista Delmino Pereira, em plena quarentena e pico do Covid-19, não seguiu as ordens e decidiu sair para passear de bicicleta. Enquanto os jovens mal pagos que sofrem o ano todo não tinham autorização para sair e treinar, o presidente da federação deixou a quarentena para passear. Mais uma vez, uma péssima imagem de Delmino Pereira e esperemos que seja punido, por um comportamento lamentável e completamente reprovável.

UCI

Para concluir, estamos a falar e bem do regresso das corridas, mas não se fala de como, mais uma vez, a UCI falhou aos que devia proteger. Equipas, patrocinadores de equipas e corridas em causa, muitos ciclistas em causa e no pelotão feminino, os problemas são ainda maiores. Nem assim a UCI interveio para acautelar e proteger todos. Mais uma vez, a UCI muito mal.

Aproveita e lê ou relê, o primeiro artigo José Andrade

A debandada

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