Covid-Croquete, o diagnóstico do TAD

Recentemente, a população Sportinguista foi alvo daquilo a que eu apelido de “Covid-Croquete”, com o surgimento de diversas personalidades infeciosas, que minam o Sporting desde sempre, a referir que o acontecimento de Alcochete nada teve a ver com a destituição ou expulsão de Bruno de Carvalho.

Vieram a terreiro pessoas como Dias Ferreira, Henrique Monteiro, Rui Barreiro, entre outras do mesmo sistema viral, assumindo que, afinal, o anterior Presidente do Sporting Clube de Portugal não terá sido afastado por causa da invasão à Academia.

É muito simples assimilar que a acusação do Ministério Público, por parte de Cândida Vilar, anunciada no dia 16 de novembro de 2018, é baseada por inteiro numa produção fictícia de Jaime Marta Soares, denominada “fundamentos de justa causa para a revogação do mandato do Conselho Diretivo do Sporting Clube de Portugal”, de 23 de junho de 2018.

Relativamente ao “Covid-Croquete” que anda a matar o Sporting há anos, dou como exemplo o estimado Dias Ferreira. Personalidade a que qualquer Sportinguista deverá ter o máximo de respeito, pois serviu o clube o melhor que soube, dentro das suas capacidades. Mas, na verdade, Dias Ferreira é um homem que aparenta uma enorme frustração, apesar de ter vingado na sua carreira, não vingou no seu objetivo de vida, ser Presidente do Sporting Clube de Portugal.

Se me permitem, vou pegar em declarações recentes de Dias Ferreira ao jornal A Bola, sobre a invasão a Alcochete, após as alegações finais do Ministério Público. Destaco em particular duas frases: “Não há que misturar absolvição de um crime público com destituição ou expulsão e readmissão, no seio de uma associação privada.”, e, “Sempre estive convicto de que a Bruno de Carvalho não seria imputada a autoria moral”. 

Por outro lado, é interessante recordar duas declarações do estimado senhor, uma a 12 de novembro de 2018 em que dizia “Nunca tive muitas dúvidas do envolvimento de Bruno de Carvalho no ataque em Alcochete”, e outra à TVI24, via chamada telefónica, horas depois da invasão à Academia, dizendo “Esse senhor é um criminoso!”, referindo-se ao anterior Presidente do Sporting.

Pois bem, perante tais incongruências no discurso de Dias Ferreira, cada um tem a liberdade de entender se Bruno de Carvalho foi ou não destituído devido ao que aconteceu em Alcochete. E cada um terá o seu livre-arbítrio para decidir o que pensar desta epidemia que contagia o Sporting há décadas.

Há pouco referi que a acusação de Cândida Vilar teria sido baseada numa produção fictícia de Jaime Marta Soares. Portanto, vamos ao que interessa. Contudo, e apesar da excecional criatividade, aquilo que é ficção não é real. Por isso, é facilmente desmontável.

Foi o que aconteceu com a acusação do Ministério Público a Bruno de Carvalho. Foi desmontada pelo próprio Ministério Público, situação que me fez lembrar aquelas pessoas que estão embriagadas na noite e fazem publicações tão estúpidas nas redes sociais que, no dia seguinte, quando acordam, a primeira coisa que fazem é eliminar aquilo que publicaram na noite anterior. Mas aqui, o assunto é sério, pois estamos a falar da vida de pessoas e do Sporting.

Não me vou alongar muito relativamente a todos os pontos da nota de culpa que levaram à destituição a 23 de junho de 2018. Irei focar-me apenas em pontos essenciais, como os pontos: 11; 12; 13; 14.

Tais pontos desenvolvidos na nota de culpa que acompanhava a convocatória para a assembleia de destituição, tratam que os comentários/posts de Facebook por parte de Bruno de Carvalho teriam originado uma onda de ameaças, insultos e agressões aos jogadores, tanto no aeroporto da Madeira, como na garagem do Estádio de Alvalade, bem como na invasão à Academia.

Mas na verdade, as alegações finais por parte do Ministério Público, em tribunal, vieram deitar por terra tal ato ficcional de Marta Soares, “Não se provou que as críticas expressas pelo arguido nas suas publicações do Facebook a que a acusação faz alusão, tivessem por objetivo incitar os adeptos a cometer atos de violência para com os jogadores e equipa técnica do Sporting, designadamente aqueles que vieram a ser praticados na Academia em 15 de maio de 2018. Até porque semelhante sentido não se extrai necessariamente dessas críticas seja de forma expressa, quer seja de forma implícita e de resto também não se provou que qualquer ato violento tenha sido praticado pelos adeptos na pessoa de jogadores e equipa técnica do Sporting entre essas publicações e o dia 15 de maio de 2018.

Engraçado notar, também, que pontos anteriores como o 9 e 10 desmentem os quatro seguintes por completo, dizendo que a publicação dos “meninos mimados”, pós-Madrid, teriam colocado os adeptos Sportinguistas por completo do lado dos jogadores e contra o Presidente, “O que, aliás, foi bem patente no jogo que lhe sucedeu, em Alvalade contra o Paços de Ferreira, com milhares de adeptos a assobiarem o Presidente do Conselho Diretivo e a aplaudirem os jogadores.”. Portanto, a própria justa causa, produção fictícia de Marta Soares, desmente-se a ela mesma. Uma justa causa para revogação do mandato feita com cabeça, membros e pernas.

Desta justa causa para revogação do mandato do Conselho Diretivo destaco, também, duas situações de relevo.

O ponto 19 “Em conferência de imprensa, Conselho Diretivo, na voz do seu Presidente desvalorizou a gravidade do sucedido declarando nomeadamente (“todos nós temos família e há linhas que não se passam, já disse isso várias vezes, e foi chato…”)”, tendo ocultado o facto de Bruno de Carvalho ter dito que o que se passou em Alcochete tratou-se de um crime grave e hediondo, mentido assim sobre o facto do Presidente ter desvalorizado o acontecimento. Relevo também o facto de na convocatória para a assembleia de destituição estar adjetivada pelo menos duas vezes, no ponto 15 e 62, as palavras “terrorismo” e “episódio terrorista”, por isso digo que a acusação de Cândida Vilar é baseada nesta produção fictícia de Jaime Marta Soares, que daria um excelente filme caso não se tratasse de uma situação muito grave. Relembrar que tese de terrorismo essa, caiu nas alegações finais do Ministério Público em tribunal.

No entanto, os elementos virais do “Covid-Croquete”, dizem que Bruno de Carvalho foi destituído por atropelos estatutários. Eventuais atropelos, surgem apenas no ponto 52 “O Conselho Diretivo nomeou, de forma ilegítima, ilegal e em violação dos estatutos do Sporting Clube de Portugal uma Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral”. Sobre isto não me vou alongar, pois é a parte mais mal encenada nesta peça teatral de Marta Soares.

Relembro apenas que a 16 ou 17 de maio de 2018, Jaime Marta Soares anunciou, creio que na SIC, o seguinte: “Atendendo às recentes movimentações que surgem a todo o momento e a qualquer momento, posso anunciar que a Mesa da Assembleia Geral se demite em bloco” e “Bruno de Carvalho siga o nosso exemplo e apresente demissão”.

Se me permitem, deixem-me relembrar também declarações de Marta Soares à TSF, a 9 de abril de 2018, logo após Madrid, onde já pedia a demissão do Presidente do Sporting: “A Mesa da Assembleia Geral irá tomar as rédeas, para fazer regressar a paz ao Sporting” e “Estão esgotadas as hipóteses da manutenção da atual presidência”, “revelando ainda que iria marcar uma reunião da Mesa da Assembleia Geral para decidir o que fazer caso Bruno de Carvalho não se demita.” Posto isto não me alongo mais sobre o Presidente da Liga dos Bombeiros, puxem pelas vossas cabecinhas pensadoras.       

Para concluir a análise à justa causa da destituição do anterior Presidente do Sporting e porque a atualidade assim o impõe, recupero o ponto 27 “Todos os jogadores imputam, a final, ao Conselho Diretivo, em especial ao seu Presidente, a responsabilidade pelas rescisões com justa causa”. Tal ponto, foi destruído por completo na alegação final do Ministério Público, onde é referido “(…) intenção de qualquer ação violenta para com bens ou pessoas de jogadores ou com o treinador e ainda que tal tivesse sucedido, em moldes que não foi possível apurar, nada indica que o arguido Bruno de Carvalho não tenha tentado dissuadir a sua prática ficando convencido que o conseguiria, como parece até resultar das palavras que, de acordo com várias testemunhas, proferiu perante a equipa técnica e jogadores”.

Relembrar isto porquê? Porque Rafael Leão foi condenado pelo Tribunal Arbitral do Desporto a pagar uma indemnização ao Sporting Clube de Portugal no valor de 16,5 milhões de Euros, devido à sua rescisão unilateral.

Portanto, com a alegação final do Ministério Público, “Em julgamento não se fez prova de que o arguido Bruno de Carvalho tenha determinado os primeiros 41 arguidos à prática dos atos cometidos na academia no dia 15 de maio de 2018 e lhes tenha dado diretivas ou instruções para a prática desses atos ou sequer soubesse que esses atos iriam ser praticados, aliás como negou”, a pedir a absolvição do anterior Presidente, não tenho dúvidas que o Sporting ganharia todo e qualquer processo das rescisões unilaterais. Não apenas ganharia, como temos o exemplo de Rafael Leão, bem como iria abater grande parte do passivo com o recebimento das indemnizações.

São mais de sessenta pontos que se desdobram noutros mais, baseados no post de Madrid, aeroporto da Madeira e ataque à Academia. Tal e qual como toda a acusação do Ministério Público a Bruno de Carvalho que, no final de contas, não passou de algo baseado numa produção fictícia de Jaime Marta Soares.

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