Era uma vez um jornal

O Jornal do Sporting tem sido todas as semanas uma desagradável surpresa. Depois da inenarrável capa a negro, com uma alegada agressão a um dirigente para desviar as atenções de uma grande manifestação de descontentamento de Sócios, pensava eu que o Jornal já teria batido no fundo e, a partir daí, só poderia melhorar.

Durante umas semanas vimos uma tentativa para melhorar a qualidade dos conteúdos e do grafismo. Verdade seja dita que, em termos gráficos, cada vez mais o Jornal Sporting se distancia de um jornal e se aproxima de uma revista. Talvez numa fraca tentativa de copiar o elogiado grafismo e a qualidade da Revista1906.

Mas, eis que chega a edição de 14 de maio de 2020. E o que vemos?

Antes de mais e como chama a atenção o jornal online Leonino, vemos que a palavra “jornal” caiu da capa e agora consta apenas “Sporting”. Será que foi da vergonha sobre o conteúdo, ao nível de um folhetim propagandístico de um qualquer “presidente da junta” e, ao menos, tiveram o pudor em retirar a palavra “Jornal” da capa? É uma pergunta retórica. Sabemos bem qual a resposta. Não.

Lá dentro, temos logo a demagogia servida à entrada pelo Dirigente do CD/Administrador da SAD/Diretor do Jornal, André Bernardo, que nos diz “que existe uma enorme assimetria de informação entre Dirigentes e Sócios” e, por isso, “redigiram da mesma forma que gostariam de ler enquanto Sócios”, referindo-se ao conteúdo da tal estratégia 2020/2022. Parece que o estou a ver a escrever isto sem se rir, nem sorrir, com cara séria, tal como na foto tipo passe que tem no Jornal.

Isto foi escrito por alguém que pertence à mesma direção que obriga os Sócios a deslocarem-se ao Centro de Atendimento, com papel no bolso e lápis atrás da orelha, para tirarem notas acerca das Contas e do Orçamento do Clube. Tudo debaixo do olhar atento de um funcionário.

São os mesmos que não publicam as Contas Consolidadas e que não publicam o Relatório de Sustentabilidade, duas ferramentas que servem para se ficar com a visão completa do universo Sporting. A anterior direção fazia-o, por isso, André Bernardo, não é preciso muito, basta fazeres o que já era feito e construir em cima e, de preferência, melhorando o que era feito.

Se a entrada foi servida nestas doses, então no prato principal esmeraram-se com a tal “Visão Estratégica para o futuro” – como se houvesse uma “Visão Estratégica para o passado”.

São 14 páginas de jargão corporativo, de autoelogio e autocomiseração, em formato de slide com alguns gráficos e bulletpoints, acompanhados com frases soltas, que espremidas dão apenas gotas azedas de um fruto que está podre por dentro. Ou seja, em bom português “uma bullshitada feita por um powerponteiro”. Um powerponteiro é alguém que faz da sua vida “produzir” powerpoints, bullshitada cada um interprete à sua maneira.

O que saliento destas páginas?

A constante referência a “o Sporting CP tem a visão” ou “a estratégia do Sporting CP”, quando não é o Sporting que tem, é o seu Conselho Diretivo que, em mais uma mostra da personalidade egocêntrica e narcisista de Frederico Varandas, escreve que é o Sporting quando não é, é ele – será que é ele? Não sei, mas aquelas cabeças são uma confusão e querem confundir-nos.

Depois saliento também a frase bem destacada que diz que “O principal ativo do Sporting CP são os seus atletas e os seus colaboradores”, onde se demonstra bem que os Sócios e Adeptos não contam para nada na mente desta Direção. Nada que já não suspeitasse, mas confesso que nunca pensei ver escrito.

Nuno Sousa

Sócio 9.575-0

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