Motores em aquecimento

Para esta nova semana, um artigo abordar a atualidade dos desportos motorizados, falando de regressos e dos assuntos que marcam o automobilismo e o motociclismo.

Automobilismo

No automobilismo, temos de falar, é claro, do regresso da F1, nas corridas realizadas até agora, tanto na Fórmula 1 como nas restantes corridas da FIA (Federação Internacional do Automóvel).

F1

É oficial. A F1 regressa a Portugal. Vai ser de 23 a 25 de outubro em Portimão. A candidatura portuguesa está de acordo com todas as normas e era dada como certa ainda antes de oficialização. A dúvida era se ia ser uma jornada dupla ou tripla, isto porque, Ímola em Itália e Hockenheim na Alemanha eram as grandes favoritas.

A questão é que durante a semana caiu Hockenheim e acabou por ficar uma jornada tripla. Começa em Nurburgring, de 9 a 11 de outubro, ocupando o que seria o fim de semana de Hockenheim. Em seguida Portimão e no final do mês, Imola que vai ser de 31 de outubro a 1 de novembro.

Este espaço que seria do GP do Canada, regressa assim a Portugal, um evento importante para a visibilidade e para a economia do nosso país. Em Itália, esta confirmação permite ter mais uma corrida, isto porque o país já vai receber o GP da Itália em Monza, a 06 de setembro, e o GP da Toscana Ferrari 1000, na semana seguinte, a 13 de setembro. Com isto, podem vir a realizar-se 3 corridas em Itália, num ano em que, pela primeira vez na historia, não vão existir Grandes Prémios no continente americano, porque mesmo com a aprovação e o acordo sobre Interlagos, as equipas temem viajar para o continente americano, pelo que está quase confirmado que nem uma corrida deve acontecer. O mesmo acontece com o GP da China que também deve ser cancelado e deve ser substituída por uma corrida em Sepang, na Malásia.

Outras três corridas que parecem estar mais próximas de serem confirmadas no continente asiático são o GP do Vietname, que pode sediar a etapa inaugural do GP ainda neste ano, após ter recebido o apoio do governo do país, também o Bahrein, que deve receber uma rodada dupla e ainda Abu Dhabi, fechando a temporada no meio de dezembro.

As corridas até agora confirmadas vão até ao GP da Rússia, marcado para 27 de setembro em Sochi. Esta confirmação trouxe também a corrida em Mugello. A intenção é a de realizar entre 15 e 18 corridas, por isso, os próximos dias vão trazer novidades sobre as futuras corridas.

Na Áustria, tivemos o regresso das corridas com a vitória de Valtteri Bottas que aproveitou a confusão entre Lewis Hamilton e Alexander Albon. Albon tentou ultrapassar Hamilton, existiu um toque entre eles e o piloto da Red Bull acabou por cair para o fim do Grid e abandonou em seguida. Hamilton acabou penalizado em 5s. O segundo foi Charles Leclerc, monegasco da Ferrari, e o terceiro Lando Norris, o britânico da McLaren, que ainda conseguiu o ponto extra pela volta mais rápida da prova. Foi um regresso que confirmou a superioridade da Mercedes, sendo assim um regresso ao normal dos últimos tempos onde a Mercedes tem dominado.

Em seguida, tivemos a segunda corrida, o Grande Prêmio da Estíria, também na Áustria. Uma corrida também ela marcada pela Mercedes que venceu, desta vez com Lewis Hamilton que partiu da pole position e conseguiu gerir a superioridade de forma a liderar do princípio ao fim, à exceção de quando parou nas boxes e ai Bottas assumiu a liderança por apenas 2 voltas, visto que também ele parou nas boxes nessa altura.

Hamilton, que não vencia desde a última corrida do ano passado, chegou assim ao 85º triunfo na carreira. Aqui a grande polémica foi logo na primeira volta, um novo toque entre os dois Ferraris, Charles Leclerc e Sebastian Vettel. A colisão deixou Vettel com um dano na asa traseira que o fez abandonar imediatamente, enquanto Leclerc abandonou quatro voltas depois devido a danos no seu Ferrari.

Mas para abafar a confusão rapidamente o monegasco fez questão de admitir o erro. Max Verstappen, depois dos problemas no carro na semana anterior, conseguiu mais um pódio, ao ser terceiro atrás dos Mercedes. Alban esteve em destaque, mas, desta vez sem abandonar, foi quarto. Mais uma vez, Lando Norris da McLaren esteve em destaque no quinto lugar. Mais uma corrida de alto nível para o britânico.

No último fim de semana no GP da Hungria, Lewis Hamilton confirmou o favoritismo e venceu. Partindo da pole position, o britânico da Mercedes não foi ameaçado ao longo das 70 voltas da corrida e conquistou a segunda vitória da temporada de 2020. O segundo lugar ficou com Max Verstappen, da Red Bull e com Valtteri Bottas, da Mercedes, em terceiro. Hamilton ainda marcou a volta mais rápida da corrida.

Numa corrida (mais uma) de alto nível do holandês, Verstappen partiu em sétimo da grelha e recuperou até ao segundo lugar. Com este resultado, Hamilton assumiu a liderança do Mundial de pilotos com 63 pontos, seguido por Bottas que depois da Hungria ficou com 58 pontos.

Falando agora das mudanças na Ferrari, não só Vettel está de saída, mas como começaram as mudanças na estrutura da scuderia. Recentemente, o chefe da equipa, Mattia Binotto, garantia que não iam existir  demissões apesar do mau inicio de temporada. Agora pouco tempo depois, a Ferrari anunciou uma reestruturação de sua equipa técnica, anunciando a criação de um novo departamento, o de desenvolvimento de performance. O departamento de desenvolvimento de performance será supervisionado por Enrico Cardile, que serviu como chefe de aerodinâmica e gestão.

No que diz respeito a mudanças de pilotos, parece cada vez mais forte a hipótese do alemão Sebastian Vettel na equipa da Racing Point. Williams confirma Russell e Latifi para a temporada 2021. Outra das notícias foi a confirmação de Fernando Alonso que assinou contrato com a Renault para 2021.

F2

No que diz respeito à Fórmula 2, o regresso ocorreu na Áustria, a 3 a 5 deste mês. Aconteceu logo após o final do treino de classificação da Fórmula 1, que terminou com a pole de Valtteri Bottas para o GP da Áustria. Foi a vez da Fórmula 2 ir à pista para a primeira corrida do final de semana.

Apesar de Guanyu Zhou ter saído da pole, a vitória ficou com o seu companheiro de equipa Callum Ilott. A academia da Ferrari dominou a prova fechando as três posições do pódio. Foi a primeira vitória de Ilott na F2, naquela que é a sua segunda temporada nesta categoria. Ele assumiu a liderança, após o seu companheiro de equipa, Guanyu Zhou, ter abandonado a prova com problemas mecânicos.

No dia seguinte e antes da F1 ir para a pista para o GP da Áustria, a Fórmula 2 fez a sua segunda corrida do final de semana no Red Bull Ring. Desta vez venceu o brasileiro Felipe Drugovich que tinha garantido a pole para a corrida no dia anterior e, após liderar de ponta a ponta, o brasileiro garantiu sua primeira vitória na F2. A corrida foi marcada por três entradas diferentes do safety car na primeira parte da corrida, mas o brasileiro conseguiu sempre ter boas saídas, terminando na frente de Délétraz. Drugovich ainda conseguiu os pontos extras pela volta mais rápida da corrida.

No que diz respeito à segunda corrida no ano, também na Áustria, que ocorreu dos dias 10 a 12 deste mês, Robert Schwartzman segurou a pressão de Yuki Tsunoda para alcançar a vitória na Estíria. O prodígio da academia de pilotos da Ferrari, Robert Schwartzman, garantiu sua primeira vitória na corrida 1 da Fórmula 2 no GP da Estíria e assumiu a liderança do campeonato. O jovem piloto da Prema conseguiu manter a ponta mesmo com os ataques de Yuki Tsunoda nas últimas voltas. O veterano Guanyu Zhou fechou o pódio.

 Já no que diz respeito à terceira e ultima corrida, que se realizaram neste regresso, de 17 a 19 deste mês, o campeão da Fórmula 3 em 2019 e membro da Academia da Ferrari, o russo Robert Shwartzman brilhou para ganhar a primeira corrida da Fórmula 2 na Hungria, após sair da 11ª posição. O piloto da Prema superou o compatriota Nikita Mazepin, da Hitech GP. Já quem completou o pódio na Hungria foi o alemão Mick Schumacher, filho do heptacampeão da F1 Michael Schumacher.

F3

Tal como a Fórmula 1 e a F2, a F3 também correu no Red Bull Ring na Áustria. Naquele sábado, a F3 fez a sua primeira corrida do final de semana, que começou com uma certa confusão na primeira curva e terminou com a vitória de Oscar Piastri, piloto da Academia da Renault.

Piastri assumiu a liderança, após se safar de uma batida na primeira curva e disparou na frente, já na segunda corrida do ano, também na Áustria, ganhou o francês Théo Pourchaire que derrotou o norte-americano Logan Sargeant e em terceiro, com uma boa corrida, o alemão David Beckmann. Já Piastri ficou a mais de 1 segundo, depois ter vencido no dia anterior na primeira corrida.

No fim de semana seguinte, de 17 a 19 de julho, também na Hungria, voltou a vencer o francês Pourchaire, de apenas 16 anos. Venceu a segunda prova consecutiva, o que torna impressionante o início de ano do jovem prodígio francês. Enzo Fittipaldi ia em grande prova, mas recebeu um drive through de punição por infração durante a bandeira vermelha. O francês tornou-se, assim, o mais jovem de sempre a vencer uma corrida. Uma semana depois tornou-se no mais jovem de sempre a vencer duas corridas. O piloto da Red Bull demonstra aqui que é um jovem prodígio.

Motociclismo

No que diz respeito ao motociclismo, falamos claro das principais corridas da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), neste caso as três categorias principais.

Moto GP

Na primeira corrida neste regresso, realizada no dia 18, venceu o francês Fabio Quartararo, da Yamaha Petronas. Depois de largar da pole position, perder a liderança e recuperar o terreno perdido em Jerez de la Frontera, Quartararo venceu. Um grande dia do francês que, assim, conseguiu a primeira vitoria no Moto GP.

O jovem piloto contou com o erro do hexacampeão Marc Márquez, o espanhol da Honda, que caiu quando estava na liderança e teve de fazer corrida de recuperação. Entretanto, a cinco voltas do fim, o Formiga Atômica errou novamente, caiu e abandonou a etapa inaugural de 2020. O pódio ficou fechado com o espanhol Maverick Viñales, da Yamaha Oficial, à frente do italiano Andrea Dovizioso, da Ducati. O australiano Jack Miller da Pramac foi o quarto e o espanhol Pol Espargaró, da KTM, fechou o top-5.

Marc Marquez foi para o hospital, sendomesmo alvo de uma cirurgia no braço direito, mas apesar disso já fala em regressar às corridas, colocando mesmo a possibilidade de correr já o mais depressa possível, mesmo ainda limitado.

Com os problemas na Ducati envolvendo Andrea Dovizioso, a Ducati continua no mercado à procura de um piloto rápido. Com isto surgiu Jorge Lorenzo, que já esteve na equipa entre 2017 e 2018, que se ofereceu para a equipa e para colmatar a saída do Dovizioso. A Ducati não fecha a porta a Lorenzo e a um regresso, mas o alvo principal nesta altura é o Cal Crutchlow que deixará a equipe LCR Honda no final desta temporada. Depois de a HRC retirar Alex Márquez dae sua equipa de fábrica para dar lugar ao piloto de saída da KTM Pol Espargaró, o próprio Carl já confirmou as negociações com a Ducati, equipa que ele também já representou em 2014.

Moto 2

No que diz respeito à segunda categoria, o regresso também foi em Espanha. Venceu Luca Marini que ganhou a liderança, ainda no início da corrida deste domingo (19) na Moto2, e tratou de abrir vantagem para ficar com o topo do pódio em Jerez de la Frontera. Tetsuta Nagashima ficou com o segundo posto, com Jorge Martín a completar o pódio.

Marini impôs um ritmo forte para vencer pela quarta vez na carreira. Marini, o irmão de Valentino Rossi partiu em segundo, mas ganhou logo a frente ao deixar Martin para trás, ele que saiu em primeiro, mas que nunca conseguiu apanhar Marini. Boa corrida que serviu para mostrar, mais uma vez, que Marini não é apenas o irmão de Valentino Rossi, mas sim um piloto de grande futuro.

Moto 3

Tal como nas categorias anteriores, o regresso foi em Jerez com uma boa corrida, vencendo Albert Arenas. Foram 4 meses entre o Qatar e Espanha. Moto 2 e Moto 3 conseguiram um regresso muito abalado pela pandemia.

Tatsuki Suzuki partiu na pole position. Liderou ainda um pouco, mas depois não conseguiu seguir com os mais fortes. Celestino Vietti foi o primeiro a trocar com Suzuki na liderança da corrida. Foram oito voltas na frente até que começou o que viria a ser a grande luta pela vitoria entre Tony Arbolino e entre vários outros Arenas.

Uma grande disputa pela vitória entre todos da frente, muitas ultrapassagens, muita velocidade e uma corrida que, apesar de ser a primeira do regresso, teve um ritmo muito alto e deu espetáculo para todos os que assistiram à corrida

Na ultima volta, McPhee entrou na frente, mas depois foi o caos. Uma queda enorme que levou muitos destes ao chão e aí emergiu Albert Arenas que aproveitou todo aquele caos para garantir uma grande vitoria, a segunda depois de ter ganho no Qatar em Março.

Muito importante este regresso das corridas, tanto no automobilismo como no motociclismo. Apesar de alguns problemas financeiros de varias equipas, das indecisões em torna das duplas de cada equipa, fica claro que, apesar de tudo, a motivação é muita e para os adeptos e aficionados foram ótimas corridas de regresso. Esperamos que não se perca demasiado e que o próximo ano seja igual ou melhor ao que temos assistido nos últimos anos.

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