O Regresso da nova Normalidade

Nesta nova semana, vou abordar a atualidade do futsal e do ciclismo, não fugindo a alguns dos temas mais polémicos e mais marcantes dentro de cada uma das modalidades.

Futsal

Numa semana que só veio agravar a preocupação já existente em relação ao futsal feminino do Sporting, vamos passar em revista alguns dos temas da atualidade do mundo do futsal e, claro está, pela atualidade do mercado de transferências.

Futsal feminino

Começando com a minha opinião sobre, claro está, aquele que é o assunto que vai atormentando todos nós sportinguistas no que diz respeito à secção de futsal. Se no plantel masculino já existem algumas dúvidas em relação ao que irá ser o nosso plantel, as más noticias desta semana vieram confirmar os rumores que já pairavam sobre a nossa equipa feminina. Em poucos dias saíram Dani, que já foi anunciada no Povoense, Débora Queiroz, Débora Lavrador, Kika, Cátia Tavares e, por ultimo, a Cátia Morgado. O problema não são as saídas, algumas até seriam previsíveis, tal como está a acontecer com os nossos rivais. O problema aqui, claro está, é que até à data ainda não existiram renovações nem nenhuma entrada.

Os nossos rivais e todas as restantes equipas também têm saídas. O Covid-19 veio fragilizar ainda mais o futsal feminino. O nosso problema, claro está, é que estamos a arrumar a casa, mas só com saídas. Colocando a situação de uma forma muito simples, ou acaba a equipa ou vamos ter uma equipa muito jovem e/ou com jogadoras de menor qualidade e, com isso, vamos ter ainda menos capacidade de discutir o título com os nossos rivais.

As saídas mais difíceis de conseguir substituir são as de Kika e, principalmente, de Cátia Morgado. Com algum investimento podíamos conseguir substituir todas as outras jogadoras que saíram, mas perante o que estamos a assistir, fica difícil pensar que vamos ter boas jogadoras a entrar.

Dentro das jovens jogadoras, temos a guarda-redes Madalena Galhardo que foi chamada e jogou nesta última época em que já era a terceira guarda-redes. Depois, temos Carolina Pedreira, que tem muita qualidade, ou a Inês Custodio a juntar ao que resta da equipa. Sobram muito poucas como Debora Venâncio. Agora até a continuidade destas e de jogadoras de segunda linha é ainda uma dúvida.

Olhando para o mercado, temos por exemplo Claúdia Dias que já anunciou que vai sair do Nápoles, Ana Alves, cuja a saída do Virtus Ragusa também já é certa. A nível nacional e sem contar com as jogadoras que saíram do SL Benfica, temos por exemplo Ana Grenha, que já jogou no Sporting e vai sair do Quinta dos Lombos. Além da Ana, também de saída, temos Sara Tavares no Quinta. Em Espanha, temos, por exemplo, Lucía Gómez González que sai do Pescados Rubén e em Itália, além das portuguesas temos, também, Marta Peñalver Ramón e Marika Mascia de saída do Cagliari, uma equipa que vai perder quase toda a gente, um pouco como o Sporting. Muitas saídas, no caso do Cagliari 5 jogadoras importantes, mas já renovaram com algumas e já se sabe que vão apostar em apenas jogadoras daquela zona. Mas ficam aqui alguns exemplos de jogadoras disponíveis que podiam reforçar a nossa equipa.

A preocupação com o futuro desta secção é muito grande. Esperemos que o Diretor Miguel Albuquerque apareça e esclareça em breve tudo o que tem acontecido e qual é a estratégia e o futuro do futsal feminino do Sporting.

Na atualidade do futsal feminino português, no SL Benfica, depois de terem anunciado as saídas de Marta Costa, Beatriz Silva, Beatriz Marques e Sofia Jesus, agora noticiaram o fim de ligação com Cláudia Pereira, mais conhecida por Nina no mundo do futsal.

O Quinta do Lombos anunciou as saídas alem de Ana Granha, que já tinha falado, de Carla Baptista, Ana Mendonça e de Sofia Ferreira. Para concluir esta atualidade portuguesa, falar da Naty, ex guarda-redes do Sporting, que depois de duas épocas no Quinta dos Lombos e aos 32 anos de idade, anunciou o fim de carreira, no que foi uma decisão muito surpreendente para todos que seguem a modalidade e sabem da qualidade da Naty.

Lá por fora começamos por Espanha, onde o Pescados Rubén-Burela venceu o Alcorcon na final por 3-2, com um golo da Jenny e regressaram, assim, quatro anos depois ao topo do futsal feminino espanhol, isto depois de terem conquistado o ano passado a Futsal Women´s Winners Cup. Com o fim do UCAM El Pozo Murcia, Noelia Montoro mudou-se para o STV Roldán, Ana Romero, depois de se sagrar campeã com o Pescados, muda-se para a Universidade de Alicante.

Em Itália, algumas movimentações muito importantes na segunda liga, os casos das renovações de Francesca Mancarella e Alessia Marzo que vão continuar na equipa do Virtus Romagna, duas jogadoras importantes e com capacidade para voos mais altos. Também na segunda divisão, Debora Madonna assinou pelo Firenze. Ainda por Itália, o que mais é evidente são os problemas de muitas equipas, um dos maiores exemplos é a equipa Real Grisignano que esteva na serie A e que com a pandemia perdeu patrocinadores e desceu para a segunda divisão, não sendo ainda certo a presença nessa mesma segunda liga, podendo mesmo descer ainda mais. Não será o fim do clube, mas é uma queda que revela bem os problemas causados pela pandemia.

Já na primeira divisão, a equipa do Kick Off depois das chegadas de Ester Mannucci e Veronica Privitera, uma das jogadoras que saiu do Real Grisignano, anunciaram também a jovem Arianna Bovo, uma das italianas com maior potencial.

Futsal Masculino

Passando agora para a atualidade do futsal masculino e começando claro está pelo Sporting, continuam as incertezas em relação ao que será o plantel. A não vinda do Leo Santana foi um duro golpe no que seria a melhoria do plantel e o colmatar de uma das lacunas do plantel. Não vindo o Leo, o plantel continua a precisar de um fixo e um pivot, mas pelo menos um jogador tem que chegar para uma destas posições. Nas chegadas, que não são bem chegadas, mas sim a subida de alguns jovens e o regresso de um emprestado tivemos esta semana o anúncio das subidas do Zicky e do Tomás Paçó e do regresso do Mamadú Ture. Além destes, Gonçalo Paçó vai continuar como terceiro guarda-redes. Zicky, por ainda ser sub-20, vai ser muitas vezes o 13º jogador em cada convocatória, com isso vai acabar por ter muitos minutos. Agora se a ideia é não contratar nenhum pivot e apostar em um jovem talento, a aposta devia ser Hugo Neves que é um dos jogadores mais promissores a nível mundial.

A equipa continua forte, mas alguns destes jogadores como Tomas Paçó ou Zicky, por serem fixo e pivot respetivamente, vão ter um grande peso em cima, o que pode ser muito pouco benéfico para eles. O empréstimo destes dois jogadores era muito importante para o futuro e crescimento deles. Nas saídas do Sporting, falar claro do Deo que já sabíamos que ia sair, mas ficamos a saber esta semana que vai para a Roménia representar o FC Autobergamo.

Ainda na atualidade nacional, Miguel Ângelo foi anunciado no SC Braga/AAUM, o mesmo Braga que perde muita gente, muitas saídas numa clara renovação da equipa. Saem Ricardinho, Márcio, Coelho que vai regressar ao Modicus, Daniel Rosa, Douglas Moraes, Franklin Neto, Paulinho Roxo e Amílcar Gomes que se mudam para CR Candoso, Tomás Reis que se mudou para o Leões Porto Salvo e, talvez a saída com mais peso, Nilson Miguel, o capitão que se muda para o Benfica.

No Ferreira do Zêzere, depois de Di Fanti e Tom, dois reforços de muita qualidade, foi agora anunciado mais um reforço, desta vez Vlademir Oliveira. Ainda no Candoso, Thales Feitosa foi anunciado e é um reforço bomba na equipa vimaranense, uma equipa que se reforça muito bem e em alguns casos com jogadores de nível de equipas do cimo da tabela. Veremos como a equipa vai funcionar, mas com estes reforços é uma equipa a ter em conta para os primeiros lugares.

No Fundão, Nuno Couto, João Nuno Ribeiro e Luís Almeida vão continuar como técnicos da equipa e Tunha foi anunciado no Torreense, o que é um reforço bomba para a equipa de Torres Vedras.

Saltando para fora de Portugal, tivemos o Inter Movistar a sagrar-se campeão espanhol, sexto título em 10 anos, num projeto que se vai renovar pelas muitas saídas, devido ao desinvestimento que a operadora Movistar vai realizar em todas as equipas. No que é o recomeço deste projeto, dentro desta renovação, o Inter já anunciou Cecílio Morales que estava no Levante e Boyis, que estava no Barcelona.

No Valdepeñas, a equipa que foi vice-campeã a jogar um ótimo futsal, equipa de muito valor que soube “pescar” nas equipas grandes em Espanha e que tem no treinador David Ramos uma das armas, já anunciou a renovação de Eduardo Sousa. O português vai continuar por Espanha por mais três anos, ele que já devia fazer parte das convocatórias da seleção portuguesa, porque é superior ao André Sousa. O El Pozo Múrcia, outra das equipas que está a passar pior com a pandemia, anunciou as saídas de Álex Yepes e de Marc Tolrà, ambos com contrato, mas que o Pozo prescinde assim para poupar e cortar algum dinheiro.

Ainda pela atualidade internacional, Caio Japa, ex fixo do Sporting foi anunciado nos suíços do Futsal Minerva, já Gadeia e Fernandinho foram anunciados no Kairat, Eduardo Borges assinou pelos belgas do Halle- Gooik, Mário Rivillos, um dos que saiu do Barcelona, foi para o Levante, Fabinho pivot brasileiro sai do Brasil para o Osasuna Magna de espanha, William, ala brasileiro assinou pelo Parrulo Ferrol de Espanha.

Em Itália, Leandro Cuzzolino regressa ao Pescara depois de uma passagem por Espanha no Levante e Marco Belloni que, depois de vários anos de qualidade na segunda divisão na equipa do CUS Ancona, deu agora o salto para a principal divisão italiana para a equipa do Mantova.

Ciclismo

Para começar e não podia ser de outra forma, na atualidade nacional tivemos o regresso do ciclismo em Anadia, mas antes de falar mais sobre isso, falar da grande preocupação do ciclismo português. Isto porque a grandíssima, a nossa volta a Portugal foi adiada para data ainda a definir.

Claro que a pandemia veio complicar ainda mais uma modalidade que não precisa de muito para tremer, mas este impasse na Volta e um possível ano sem Volta pode ser algo que vai marcar muito o que é o nosso ciclismo, porque o ciclismo português precisa da Volta. Sendo mais direto, a Volta é fundamental, sem a Volta tudo fica em causa. A juntar ao adiamento, às dúvidas da DGS, ainda surgiram as autarquias a não quererem a Volta. Em alguns casos, vieram a público justificar o porquê de não aceitarem a Volta este ano, como no caso do presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo que, de uma forma muito infeliz, veio justificar essa decisão.

Posto isso, o adiamento e as várias Câmaras Municipais que se estão a recusar a acolher a comitiva da Volta, a grandíssima pode estar mesmo em causa este ano e o que surgir daí podem ser muitas más noticias para o nosso ciclismo. Todos nós, adeptos e aficionados da modalidade, aguardamos noticias e que a volta e o nosso ciclismo regressem ou, pelo menos, que medidas sejam tomadas para tudo e todos sejam salvaguardados, principalmente os ciclistas.

Depois desta análise resumida da situação da nossa volta, falo agora do contrarrelógio que aconteceu em Anadia e que marcou o regresso do nosso ciclismo. A prova de reabertura, um contrarrelógio individual de 22 quilómetros, disputado em Sangalhos, concelho de Anadia.

Rui Costa, em boa forma, beneficiou de ter a melhor “máquina”, num crono como este, ter bicicletas e material de maior qualidade permite ter à partida uma vantagem, alem disso o Rui está em boa forma, em segundo ficou Rafael Reis o ciclista do Feirense teve um desempenho irrepreensível, provou assim que esta em boa forma, ele que este ano é líder absoluto numa equipa e que mostrou aqui neste recomeço que está preparado para mostrar serviço, ele que é um especialista na luta contra o relógio.

Já o experiente Gustavo Veloso da W52-FC Porto fechou o pódio, ele que fez uma primeira parte do crono de muita qualidade, mas que acabou por quebrar na fase final. De destacar, vários desempenhos neste regresso, como o caso de Joaquim Silva, líder da Miranda- Mortágua, também ele líder de uma equipa continental pela primeira vez, mas aqui o que mais surpreende é que o Joaquim nunca foi especialista e, por isso, surpreende com este nono lugar. Os cronos de Luís Gomes, Gaspar Gonçalves e Jorge Magalhães não são uma surpresa, mas são de destacar por serem ciclistas que aparentemente regressam em boa forma.

Agora um dos grandes destaques é Daniel Dias, o melhor sub-23 e um dos jovens de maior futuro no nosso ciclismo que, apesar de ter material de menor qualidade, conseguiu fazer um crono muito bom.

Rui Costa, com esta vitoria, lidera agora a Taça de Portugal empatado com Alberto Gallego. Já nos sub-23, e como foi a primeira corrida, Daniel Dias é agora o líder.

Na atualidade internacional, o regresso a nível de corridas menores deu-se no Montenegro, mas o regresso de uma corrida com nomes grandes e que suscitou maior atenção foram os nacionais eslovenos, onde Primoz Roglic sagrou-se campeão ao vencer de forma clara Tadej Pogacar. Estes Nacionais tiveram uma péssima transmissão televisiva, com 146 quilómetros e onde tudo se decidiu nos últimos quilómetros com os ataques, principalmente o ultimo ataque de Roglic na ultima subida que deixou Pogacar parado. No dia seguinte, tivemos o contrarrelógio individual de 15.7 quilómetros e onde Pogacar se vingou do dia anterior e venceu, tornando-se bicampeão esloveno de contrarrelógio.

Com grandes dúvidas em tudo, a Grã-Bretanha cancelou os nacionais deste ano, já depois de ter cancelado todas as corridas, mas mesmo as corridas que já têm data definida podem ainda sofrer adiamentos ou mesmo cancelamentos, porque o cenário é muito incerto nesta altura.

Deixando o calendário e as corridas e passando para as equipas e o futuro das mesmas, enquanto que a CCC procura avidamente um novo patrocinador para que a equipa não acabe e mude apenas de main sponsor, a Mitchelton-Scott a equipa australiana é, neste momento, um dos temas em destaque quase todos os dias, porque perante a pandemia surgiram problemas na equipa. A Manuela Fundacion surgiu como salvadora, ou pelo menos, assim parecia. Os australianos começaram a negociar e foi logo anunciado a mudança da sede para Espanha, com novos diretores. A verdade é que o negócio caiu, os australianos recuaram perante uma fundação muito estranha, que não tem registos e, por isso, fez soar os alarmes na comunidade ciclística. Com a queda do negócio, a Fundacion vem agora dizer que já comprou tudo e que tudo estando pago já lhe pertence, faltando apenas a licença World Tour. Uma novela espanhola completamente evitável e que veio criar incertezas numa das equipas mais bem organizadas no pelotão mundial.

Dentro do pelotão feminino, a Drops anunciou que pretende subir de nível e que está em busca de um novo patrocinador para que isso aconteça. Já a Bigla-Katusha vai passar a chamar-se Paule Ka, mas são boas noticias, pois assim fica garantida a continuidade de uma equipa forte no pelotão feminino.

A jovem francesa Uttrup Ludwig estendeu o contrato com a FDJ até 2022, uma clara aposta numa das jovens com maior capacidade no ciclismo francês e mundial. Anna Shackley uma jovem holandesa de muita qualidade foi anunciada na SD Worx a nova designação da equipa Boels Dolmans.

Mas uma das notícias que mais marca a atualidade do ciclismo feminino, é a retirada de Amy Cure, a australiana anunciou o fim de carreira aos 27 anos. 

No mercado masculino, a Deceuninck-Quick Step do português João Almeida anunciou as renovações ao longo dos últimos dias de praticamente todos os ciclistas que estavam em final de contrato, com a exceção de Bob Jungels, o luxemburguês. Já se percebeu que não deve continuar e, com isso, torna-se num dos ciclistas com mais mercado.

Romain Bardet, um dos ciclistas sem equipa para o próximo ano, é apontado a várias equipas, como a Sunweb. Resta saber se o francês está a tentar uma melhoria de contrato para a continuidade nos franceses da AG2R ou se realmente o francês irá sair em busca de novos objetivos.

Mas um dos assuntos mais marcantes no momento é a saída de Chris Froome da Ineos para a Israel Start-Up Nation. O britânico tinha em mãos uma super proposta de 3 anos com um salário de 5 milhões por cada ano, por parte da Israel e a sua saída da Ineos torna-se real, depois de tantos rumores. Froome perdeu muito espaço na equipa, mas mesmo assim irá continuar até ao fim do ano. Numa possível realização do Tour de France, ele deve fazer parte dos escolhidos, o que coloca a equipa numa possível situação complicada de gestão de egos e de tantos galos.

Para terminar, falar infelizmente de algo que nunca se gosta de falar, a morte, neste caso, de Niels de Vriendt que aos 20 anos morreu a fazer o que mais amava, correr em cima da sua bicicleta. O jovem belga, que participava numa corrida para alguns ciclistas ganharem ritmo e recomeçarem depois da paragem, teve um ataque cardíaco, caiu e, apesar de todas as tentativas no local para o reanimar, acabou por morrer, infelizmente, mais um jovem belga a morrer devido a problemas cardíacos.

Mais uma viagem pela atualidade que nos mostra como a pandemia tem afetado e muito algumas das modalidades. Uma realidade em que custa ver a ineécia de algumas entidades para defenderem essas mesmas modalidades e, principalmente, os intervenientes das mesmas.

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