#Olympia – O Teto sem Igualdade

Uma nova semana e mais uma vez falo de um novo tema, desta feita trago a atualidade do futebol feminino marcada, claro está, pelo teto salarial, uma medida que felizmente caiu, mas que revelou que quem devia fazer de tudo para o crescimento não hesitou em criar algo que iria prejudicar e muito o futebol feminino português.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) começou por anunciar o alargamento de doze para vinte clubes da Liga BPI. De agora em diante, a Liga BPI é disputada na 1.ª Fase por vinte clubes, divididos por duas séries, a série Norte e série Sul, com dez clubes cada.

Todos os clubes vão jogar entre si em cada série, conforme sorteio. Os clubes da Região Autónoma da Madeira são inseridos na série Sul. Para a 2.ª Fase – Apuramento de Campeão – apuram-se os quatro melhor classificados de cada série da 1.ª Fase. Os restantes doze clubes apuram-se para a 2.ª Fase – Manutenção e Descida – , transitando de fase com metade dos pontos conquistados na 1.ª Fase. A 2.ª Fase – Apuramento de Campeão – é disputada por oito clubes que jogam entre si por duas vezes, conforme sorteio.

Este alargamento foi aprovado com o voto favorável de várias equipas, entre elas o Sporting que, em comunicado oficial, justifica o voto favorável como uma oportunidade para existir uma maior aposta em jovens talentos portuguesas. Logo aqui, surgiu a primeira polémica com várias equipas a serem contra este alargamento, como foi o caso de Domingos Estanislau. O presidente do Futebol Benfica revelou no seu Facebook que na reunião onde se debateu o futuro e a competitividade do futebol feminino português, ficou no ar a ideia de uma redução para dez equipas, mas segundo o próprio outros interesses se levantaram e a redução passou para um alargamento.

Falando de algumas equipas que sobem, em alguns casos como o Famalicão ou o Gil Vicente, falamos de equipas que são superiores a várias que estão na Liga BPI, mas este súbito e tão significativo alargamento vai fazer com que sejam jogadas mais partidas por jornada a horários pouco favoráveis, para atrair público e mais atenção.

Se, por um lado, é bom as jogadoras jogarem contra as melhores para as equipas estarem ao mais alto nível nacional e, com isso, contribuir para uma maior atenção e maior desenvolvimento seja das jogadoras seja das equipas, por outro lado, a questão dos horários dos jogos serem menos atrativos pode condicionar em parte o que seriam os benefícios deste alargamento.

Ainda nas novidades e antes de ir para a grande polémica, falar dos novos formatos da II e da III divisão. A II divisão passa para 16 equipas, no caso os segundos e terceiros classificados das oito séries da II Divisão, visto que os primeiros oito vencedores das series da II divisão sobem para a Liga BPI. Na III divisão, a mudança é a entrada das equipas B de todos os clubes que queiram criar ou inscrever a suas equipas B, que irão juntar-se a todas as equipas que se encontravam entre o quarto e o oitavo lugar da II Divisão, fazendo assim um total de trinta e sete equipas.

Temos ainda a alteração de estatutos em relação às jogadoras formadas localmente, que passa de 3 anos a jogar em Portugal até aos 21 anos para 2 anos até aos 23 anos a jogar em Portugal, o que acaba por ser contraditório com o alargamento e todas estas medidas que supostamente são para incentivar a aposta nas jovens atletas.

Depois do alargamento, da mudança de estatutos e dos novos formatos, surgiu a grande polémica, a ideia estapafúrdia da introdução de um teto salarial de €550 mil. Mónica Jorge bem tentou explicar na entrevista que deu ao jornal “a bola”, mas era uma decisão totalmente absurda e incompreensível.

Seria uma medida que iria afastar ainda mais as melhores equipas nacionais de darem qualquer tipo de luta e de algum tipo de oportunidade de competir pelos melhores lugares nas competições europeias. Isto porque um limite de €550 mil para a massa salarial impediria a continuidade do crescimento das equipas portuguesas, afastaria as equipas nacionais ainda mais das equipas de nível médio/alto do futebol europeu e simplesmente iria servir para nivelar por baixo a liga portuguesa.

As diferenças continuariam a existir. Poderia reduzir um pouco a diferença das grandes para as equipas médias e mesmo para as mais pequenas, mas as goleadas, embora por números menores iriam continuar a existir. Além de que depois de vários anos a conseguir atrair jogadoras de um nível cada vez mais alto e com cada vez mais qualidade para as equipas em Portugal, esta medida incompreensível, que se tivesse avançado, iria impedir que isso continuasse a acontecer e mesmo as melhores jogadoras portuguesas iriam novamente ficar longe de Portugal, isto depois dos esforços para muitas delas regressarem e ajudarem a nossa liga a crescer.

Por isso mesmo caiu. A FPF, perante a contestação e o impacto que a possibilidade de algo assim tão discriminatório acontecer, tanto a nível nacional como a nível internacional, acabou por recuar anunciando em comunicado que o teto salarial não avançaria.

Apesar do recuo, a FPF refere no comunicado que vai continuar a trabalhar com o Sindicato de Jogadores em novas medidas e numa alternativa para o teto salarial. Esperemos que seja agora algo benéfico e não algo tão abjeto.

Outro dos pontos que é impossível deixar passar é a postura do Sindicato de Jogadores em tudo isto. Mais uma vez e como em tantas outra vezes, teve uma postura péssima, ainda mais quando olhamos para a nossa vizinha Espanha, onde a Real Federação Espanhola de Futebol confirmou, no passado dia 10, que as duas primeiras divisões de futebol feminino vão passar a ter o estatuto de competições profissionais e onde o sindicato dos jogadores teve um papel importantíssimo para esta medida acontecer, defendendo e apoiando a luta das jogadoras.

Em Portugal, o sindicato não defende as atletas e ainda se colocou ao lado da FPF, mesmo perante uma medida que iria prejudicar principalmente as atletas que deviam ser salvaguardadas e defendidas. Uma medida que deveria surgir era o salário mínimo para as jogadoras, medida que pelo menos poderia ser debatida e discutida por todos.

Seleções

Ficamos a conhecer as datas para a retoma da fase de qualificação para o Campeonato da Europa feminino, que se vai realizar em 2022 depois do adiamento de um ano.

Os seis jogos que restam a Portugal serão disputados até ao próximo dia 1 de dezembro. Portugal está no grupo E, juntamente com as seleções da Finlândia, Escócia, Albânia e do Chipre. Portugal é atualmente o terceiro classificado do grupo E, com quatro pontos conquistados em dois jogos.

O calendário provisório vai ser o seguinte: a 18 de setembro será Finlândia x Portugal, quatro dias depois no dia 22, Escócia x Portugal, no dia 23 de outubro, Chipre x Portugal, 4 dias depois, no dia 27, Portugal x Chipre, no dia 27 de novembro Portugal x Escócia e, por fim, no dia 1 de dezembro Portugal x Albânia.

No que diz respeito ao mundial de 2023, o Japão decidiu não apresentar uma candidatura para receber o mundial e tomou a decisão de apoiar a candidatura da Austrália e Nova Zelândia, que acabou por levar a melhor sobre a candidatura colombiana.

O que salta à vista de todos é o voto de 13 membros do conselho da FIFA na candidatura, que teve a nota mais baixa dos inspetores da FIFA, como o caso de Fernando Gomes, presidente da FPF que votou na candidatura colombiana, algo que Fernando Gomes devia ser obrigado a explicar.

https://twitter.com/FIFAWWC/status/1276185080298377218?s=20

Liga Alemã

Na Alemanha, o retomar do campeonato marcou um regresso a uma normalidade, que é o Wolfsburgo ser campeão. Neste caso é o quarto título consecutivo, o terceiro desde a chegada da portuguesa Cláudia Neto, que perdeu espaço e que apenas esteve em 16 jogos, marcando, mesmo assim, 7 golos. A jogadora portuguesa é campeã pela quinta vez consecutiva, isto porque saiu do Linkoping FC para o Wolfsburgo como bicampeã na Suécia.

Mercado de transferências (internacional)

Passando para a atualidade do mercado de transferências, falamos da maior transferência de sempre do futebol australiano. Ellie Carpenter, a lateral direita, salta diretamente da liga australiana para o Lyon, depois de em janeiro Sam Kerr ter saído para o Chelsea. Isto prova o crescimento do futebol feminino australiano, um exemplo a seguir.

Ainda no mercado de transferências, Amy Taylor renovou com o Manchester United, que já havia contratado a jovem sensação galesa do Cardiff City, a médio, Carrie Jones. O Paris FC anunciou a médio Daphne Corboz que chega dos rivais do FC Fleury 91.

Já Anna Moorhouse muda-se de Inglaterra para França ao transferir-se do West Ham United para o Bordeaux. O mesmo Bordeaux que contratou a avançado Katja Snoeijs ao PSV Eindhoven. O Manchester City anunciou a renovação com a guarda-redes francesa Karima Benameur, o Chelsea contratou ao Liverpool a extremo Niamh Charles, o mesmo Chelsea que já havia perdido a avançada Adelina Engman, que se mudou para o Montpellier.

Na Rússia, o Zenit está a apostar muito forte para a estreia na liga russa e a prova disso são as contratações da médio Ekaterina Sochneva ao CSKA, da guarda-redes Yulia Grichenko e da defesa Yulia Zapotichnaya ambas do Lokomotiv, e da escolha de Olga Poryadina para treinadora, ela que é uma treinadora experiente e muito conhecedora do futebol russo.

Viviane Asseyi, a melhor marcadora e uma das estrelas do Bordeaux mudou-se para o Bayern Munique. O PSG, que vai estar na Champions League no próximo ano, está mais uma vez em mudanças e apesar dos 7/8 milhões de orçamento já perderam a guarda-redes Katarzyna Kiedrzynek e o diretor desportivo  Bruno Cheyrou que vai para o futebol masculino do Lyon. Nas renovações, o PSG já garantiu Formiga, que aos 42 anos continua a ser fundamental, e também Nadia Nadim e Kadidiatou Diani, mas mesmo assim a gestão do PSG deixa muito a desejar. 

Mercado de transferências (nacional)

A nível de movimentações do mercado nacional, é claro que temos de falar do Sporting que já renovou com Nevena Damjanovic, Carlyn Baldwin, Amanda Perez e Neuza Besugo.

Para surpresa de todos, ficou-se a saber que Diana Silva irá abandonar o Sporting. Diana Silva, uma das melhores jogadoras deste plantel, figura do Sporting e da seleção, agradeceu pelo tempo e pelo apoio que recebeu no Sporting. Não se percebe o que aconteceu para a não renovação com a jogadora… Saída estranha e surpreendente que vai na direção contrária ao rumo de renovação com as melhoras jogadoras.

Também oficial é a saída de Hannah Wilkinson que regressou à Nova Zelândia, mas outras jogadoras devem sair, veremos quais.

Destacar o Estoril-Praia que renovou com a espinha dorsal da equipa. Há a destacar principalmente a continuidade de Ana Rita Viegas. No SC Braga falamos da já anunciada saída de Francisca Tavares para o Heerenveen, Vanessa Marques, a capitã, Rute Costa, Chinaza Uchendu que sai para o Linkoping FC e veremos quem mais sai na equipa minhota.

No SL Benfica já saíram jogadoras como a tão cotada Julia Spetsmark, uma das atletas mais bem pagas que vaipara o Fleury, em França, e saem também algumas estrangeiras, como Alana O´Neill e Mimi Asom. Na baliza também há alterações, com as saídas de Dida e Iris Silva, que já foi anunciada no Amora, e o regresso da Carolina Vilão, que esteve por empréstimo no Valadares Gaia.

O Clube Atlético Ouriense garantiu já vários reforços entre elas Pisco, a experiente médio que chega do Golpilheira, e a defesa direito Maria Inês que sai do Futebol Benfica.

Continuando pela atualidade no nosso país, tenho de destacar Edite Fernandes que aos 40 anos renovou por uma temporada com o Futebol Benfica e, além disso, anunciou que vai integrar a estrutura para o futebol feminino do Fófó, para além de ficar com a orientação técnica da academia que o histórico clube lisboeta vai criar.

Para terminar, uma palavra muito especial para a nossa leoa Fátima Pinto, que foi operada recentemente a um tumor, um colesteotoma (tumor benigno) que se encontrava no ouvido. A Fátima já esta a recuperar, mas perdeu a audição total do ouvido direito, conhecendo a leoa que é, vai voltar ainda mais forte para nos ajudar a reconquistar tudo. Rápidas melhoras para a grande Leoa.

Saudações Leoninas

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