Os Abutres

“Passam uma vida inteira a ***** o clube,
Aqueles que vocês chamam de ilustres,
Só querem é mama e querem é tachos,
Filhos da **** desses Abutres”

“Eu nunca rescindo”
Directivo Ultras XXI

Tanto já se escreveu sobre o assunto que até chateia!

Tanto se opinou, tanta crónica mais ou menos detalhada foi publicada, opiniões e comentários abalizados com recursos mais do que válidos, tanto foi já dito, debatido, dissecado até à exaustão sobre o que considero ser o dia mais vergonhoso da história do Sporting Clube de Portugal: A Assembleia Geral de Destituição realizada a 23 de junho de 2018.

Vivemos na ressaca desse dia! Desse malfadado dia em que se fez a maior injustiça e crueldade a um dos melhores, senão o Melhor Presidente de sempre do SCP.

Nunca fui de Presidentes. Para mim o símbolo é o que mais conta, é o que bate cá dentro sempre e quem tem a honra de o envergar, seja jogador, treinador ou dirigente, só tem é que o dignificar dando sempre o seu melhor. Mas não vi até hoje, ninguém que o fizesse melhor que Bruno de Carvalho!

As palavras faltam-me para escrever tudo o que senti naquele dia. O caminho até ao dia da destituição foi rápido, incrivelmente rápido para um país em que tudo se desenrola a passo de caracol. A histeria coletiva que se instalou em Portugal, em redor da pessoa de Bruno de Carvalho e do Sporting, por associação relativa ao caso de Alcochete, não tem paralelo com nada a que assisti nos anos de vida que já tenho.

Uma dor imensa, um aperto no peito, um pesadelo, uma humilhação. Mau demais para ser real. Triste demais para se estar a passar connosco, dentro de nossas portas. O Sporting não merecia! O Sporting não merece!

Nós, Sporting e sportinguistas, que sempre nos orgulhámos dos nossos valores e princípios, estávamos a ser completamente arrasados pela opinião pública e dizimados por uma Comunicação Social vendida a interesses vários, com “cães de fila” estrategicamente colocados nos diferentes programas televisivos, com o intuito claro de intoxicar as mentes mais influenciáveis fazendo-lhes uma lavagem cerebral.

Ninguém, mas mesmo ninguém defendia o Sporting! Para atacar e fazer cair o Presidente tudo valeu. Bruno de Carvalho aguentava o Clube como podia e como o deixavam. Eram tiros vindos de todos os lados. Rataria a abandonar o barco. Cobras a mostrar o seu veneno. Abutres em marcha para atacar o Leão que estava fraco e que provavelmente iria sucumbir.

Tudo o que envolveu o Sporting nesse período, e ainda envolve, cheira a ilegal por todos os prismas. Agora à distância, ainda mais se sente que tudo foi uma grande Golpada ao Poder. Tudo soa a falso, a fabricado, a manipulado.

Sente-se que nada nem ninguém está a servir o Clube, mas sim a servir-se do Clube por conta de uma ocupação abusiva do poder resultante de um aproveitamento vil e cruel da narrativa de Alcochete. Alcochete foi mau, muito mau! Nunca devia ter acontecido!

Mas aconteceu….e o Presidente e respetivas autoridades iriam tomar todas as medidas necessárias para minimizar os danos materiais, físicos e emocionais dos envolvidos. Bruno de Carvalho sempre defendeu os superiores interesses do Clube e iria continuar a fazê-lo. Mas assim não deixaram que acontecesse!

Alcochete serviu para tudo! Para destituições, expulsões, rescisões, comissões, perseguições, mascarar incompetência. Serviu principalmente para os interesses obscuros se instalarem novamente no Sporting com toda a sua força, como lapas agarradas às rochas, que não desgrudam enquanto a maré está alta.

Eis os Abutres de volta!

E como a maré estava alta quando eles lá chegaram! Alta, cheia, recheada com 515 milhões do Contrato da NOS, equipas competitivas campeãs em todas as modalidades, exceto no futebol sénior masculino, bons patrocínios e cooperações, um Pavilhão Moderno todo pago, cerca de 170 mil sócios com as quotizações em dia, uma Televisão do Clube, Núcleos dinâmicos, média de assistências no estádio na ordem dos 40 mil espetadores, uma Restruturação Financeira pronta a ser assinada e que iria dar a maioria da SAD ao Clube.

Grande desgraça encontraram os “Salvadores do Sporting”. Esta foi a verdadeira Herança Pesada deixada por Bruno de Carvalho a esta gente!

Depressa tudo foi esquecido por todos. Fizeram os sócios e adeptos voltarem-se contra o Homem que nos devolveu o Clube. Bruno de Carvalho mexeu com muita coisa, com interesses instalados, com coisas intocáveis e estava a pagar um preço muito alto por isso.

E eis-nos chegados ao dia da Vergonha. 23 de junho de 2018.

Nessa manhã, ao levantar-me tive a sensação que ia para um enterro. Não sabia ainda, mas sentia que as coisas iriam mudar para sempre. Tinha sonhado com pássaros negros em volta de uma carcaça. Comentei este sonho com pessoas amigas, que otimistas me diziam que estava a dar importância demais a coisas do inconsciente.

“Tenta ser racional”. “Apesar de ser incompreensível o enxovalho publico a que o Presidente está a ser submetido, os sócios não o vão abandonar, o Exército que ele pediu vai aparecer”. “Acredita” diziam-me. Também queria pensar assim, mas o sonho era real demais. Sentia as bicadas dos Abutres na pele à medida que me aproximava do Altice.

Não queria realmente acreditar que ele fosse destituído depois de tanto ter feito pelo Sporting. Os sócios ao menos tinham que lhe dar o benefício da dúvida. Todos temos esse direito e, no meu entender, Bruno de Carvalho tinha-o ganho na marra mesmo, na luta desenfreada para nos devolver a Glória que há tantos anos nos fugia e tarda em regressar.

Ao chegar ao recinto, vejo a passear calmamente à beira rio Sousa Cintra e Torres Pereira. A máquina já em movimento. Entrei no Altice nervosa! Cheirava a podre naquela sala. Senti vontade de vomitar. Nunca mais vou conseguir lá entrar na vida.

Todas as recordações felizes que tenho daquele espaço se varreram num ápice. O que se passou lá dentro, vai ficar marcado para sempre em todos nós. Injustiça, ingratidão, indignação, impotência, crueldade, ilegalidade, falta de democracia, boletins de votos codificados, emoções ao rubro, assobios, apupos a quem estava a comandar aquela situação surreal.

Quem esteve presente, sentia que a maioria estava pela Não Destituição. O Altice era um mar de Sportinguistas divididos entre a raiva e a dúvida e o agradecimento e confiança no ainda Presidente. Tão triste, ver os “nossos” uns contra os outros!

Algo em mim morreu nesse dia. Desde 23 de junho de 2018 que o Sporting fechou as portas ao sucesso, à exigência, à transparência, à modernidade, ao combate pela verdade desportiva, à união, à glória.

Estávamos na linha da frente com um líder forte, audaz, corajoso e agora ali estava prestes a ser destituído sem provas de NADA, de absolutamente nada. A nota de culpa para a destituição era uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

Jaime Marta Soares tinha-se demitido tal como o Conselho Fiscal e Disciplinar. Mas não a Direção. Continuavam lá, resistentes, combatendo os golpes e as facadas dadas por todos. Havia um clube para gerir e os órgãos demissionários tinham que ser substituídos. Pela lei foi o que se fez. O Sporting não podia parar.

Os sócios tinham que entender isso, pensava eu. Nada daquilo se devia ter passado como se passou. Os acusados tinham que se ter defendido das acusações de que estavam a ser alvo. Foi-lhes negado esse direito. Porquê? Se nas televisões disseram que o podiam fazer?

Os sócios entravam, votavam e saiam como um rebanho que atravessa a estrada, sem sequer prestar atenção ao que se passava à sua volta. Tinham uma Missão e estavam ali para cumpri-la.

Quando vi Álvaro Sobrinho no Altice, coisa que pensava impossível, sufoquei e sai. Pensava no jogo sujo que estavam a fazer ao Presidente e ao Sporting. Até a pergunta sujeita a votação suscitava dúvidas na sua interpretação. Tudo ensaiado ao pormenor. Tudo a acontecer pelo guião de quem escreveu tão triste enredo.

No caminho ouvi os resultados. O Não tinha ganho. Afinal, Bruno de Carvalho continuava Presidente. Mas depressa a jornalista da desgraça se encarregou de desmentir a verdade e o que ficou para a história, foram os tristemente célebres: Sim 71% e  Não 29%.

Passado todo este tempo ainda pergunto e continuo a perguntar até que me respondam: Terá sido mesmo assim? Porque houve engano no anúncio das percentagens? Quantos sócios votaram? Quantos votos Brancos e Nulos existiram? Porque desapareceu a Ata? Porque não foi lida em Assembleia Geral? Será que chegados aqui, os resultados foram uma questão de má interpretação da pergunta feita aos sócios?

Amamos e Defendemos um Clube de Coração. Sabemos quem são os nossos adversários em campo, mas sabemos realmente quem são os nossos inimigos?

Quem nos Salva dos Abutres? Alguém sabe?

2 thoughts on “Os Abutres

  1. Falta o acto final nesta opera buffa: a venda dos cacos. O que acontecer depois, mesmo que desemboque em sucesso, o que duvido, sobretudo para as modalidades que, muito provavelmente serão extintas, já não terá nada a ver com os sócios. Mais: seja quem for o dono, e, também provavelmente será estrangeiro, terá de lidar com os bastidores do futebol português. Claro que vai levar a surpresa da sua vida. É o único consolo que me resta: nesse dia compro pipocas, mas, é mais que certo, vão-me saber a fel.

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