Os Frutos de Varandas

Começo este texto por exprimir… vá, a minha satisfação, por ter a oportunidade de finalmente de dizer algo de positivo sobre a actualidade do Sporting, face ao bom início de Rúben Amorim. Não só pelas vitórias que o registo ainda é curto e os antecessores também registaram bons inícios com os resultados que se sabem, mas também pelo lançamento de jovens com potencial reconhecido por quem segue minimamente a formação do clube. Aí está a prova que não estava “destruída”, como se tem vendido aos sportinguistas menos atentos através da propaganda com objectivos meramente políticos com que temos sido brindados.

A equipa tem apresentado uma maturidade assinalável face à baixa média de idades, mostra que sabe o que está a fazer em campo, principalmente no processo defensivo e tem sido intensa e agressiva. E isto, além da qualidade de vários destes jovens, tem dedo do treinador que aproveitou a paragem das competições para integrar os miúdos e, assim, preparar o grupo para o que resta da época e para o próximo ano.

Aqui, também tenho que o dizer (e não me custa nada dizê-lo), é uma opção acertada da direcção, face ao cenário de enorme incerteza económica e financeira que se vive e viverá, quanto mais rápido se enquadrasse o futebol do clube com esta nova realidade, mais preparado estará o clube em lidar com estes novos desafios que se sentirão transversalmente a todos os sectores de actividade.

Veremos nos próximos meses, se esta opção terá um seguimento coerente e competente, ou veremos novamente os desvarios estratégicos a que temos assistido nestes dois anos.

E sobre a natureza estratégica desta opção, umas notas:

1- A pandemia requer alterações profundas na gestão do futebol e a resposta dos clubes vai ser feita de acordo com essas alterações. É uma resposta estratégica? Dificilmente. É por necessidade absoluta.

2- A direcção de Varandas, juntamente com a Comissão de Gestão, gastou em contratações cerca de 70M (a direcção de Bruno de Carvalho – e uso o passado recente como comparação, porque há dois anos que sou injectado com os chavões da herança pesada para justificar incompetência própria –  precisou de 4 épocas para ultrapassar estes valores), a que se juntarão cerca de 135M em salários, em apenas 2 anos (a direcção de Bruno de Carvalho também precisou de 4 épocas para ultrapassar estes valores).

3- A direcção de Varandas contratou para a defesa Ilori, Neto, Borja, Rosier (e exerceu a opção de compra por Renan) e nenhum deles é titular (Borja tem jogado agora, após a lesão de Mathieu) ou resulta numa mais valia para o futebol do Sporting. Para o meio campo, contratou Doumbia, Eduardo e Matheus Nunes ( e só este é titular e após paragem, que antes não contabilizava qualquer minuto na equipa principal). Para o ataque, Jesé, Fernando, Bolasie, Vietto, Plata, Sporar, Luiz Phellype e Camacho e pese o potencial evidente de Plata, algumas qualidade de Vietto ( sempre muito irregular ), a utilidade de Sporar e Luiz Phellype, dificilmente se vê aqui um jogador que tenha elevado o nível da equipa face aos que saíram. Pelo contrário.

4- Foram dispensados/emprestados/(mal) vendidos Domingos Duarte, Bragança, Matheus Pereira, Gelson Dala, Francisco Geraldes (regressado em janeiro), o que ao somar o negócio estapafúrdio de Demiral (por Cintra), resulta numa meia dúzia de jovens preparados para darem o seu contributo ao Sporting e que foram excluídos à conta de contratações que resultaram em flops e banalidades na sua esmagadora maioria e que à data da paragem pela pandemia, eram responsáveis por uma das piores épocas da história e que, a nível financeiro, significaram custos similares ao do plantel pré Alcochete, este recheado de jogadores de valia indiscutível.

Portanto, ao contrário do que o sr Varandas diz, sempre muito atento em cavalgar qualquer onda positiva, mesmo que efémera, o contexto actual não é a recolha de frutos do SEU trabalho de base na formação (ninguém faz um trabalho de base em menos de dois anos, que dê frutos na equipa principal) e sim o reconhecimento (valha isso)  do falhanço da gestão desportiva que teve que se redefinir, manietada por um futuro incerto e que exige contenção absoluta de custos e utilização dos recursos próprios. No caso do Sporting, pese o desperdício (não é exclusivo desta direcção), ainda os há e com alguma qualidade.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *