Previsão de 40 milhões de prejuízo em 2020/21

Com os dados que foram divulgados do 1º semestre do R&C 2020/21, já é possível fazer uma estimativa em relação à demonstração de resultados que poderá ocorrer na divulgação do relatório anual da Sporting, SAD, para o ano em que nos encontramos e que terminará o exercício a 30 de junho de 2021.

Aqui está a previsão que apresento e passarei a explicar de seguida o fundamento das diferentes rubricas que contemplam esta estimativa para o resultado líquido do exercício desta época.

Por norma, a comparação que é feita num R&C é relativa ao período homólogo, neste caso seria junho de 2020.

Por uma questão de facilidade para a minha explicação e para ser mais facilmente compreendida por todos, estou a comparar com os resultados que surgem no Relatório de Contas da Sporting, SAD relativo ao 1º semestre de 2020/2021.

Todos os valores que se encontram na coluna à direita da imagem acima são iguais aos que estão presentes na imagem do R&C do 1º Semestre da Sporting, SAD, que se encontra na imagem abaixo.

Como a imagem que apresento em baixo se encontra cortada e editada e de formar a garantir a transparência, caso pretendam confirmar a sua autenticidade, sintam-se à vontade para aceder à pág.18 do R&C do 1º semestre da SAD. (2 (scpconteudos.pt))

Notaram algumas diferenças entre a coluna do lado direito da tabela de cima e o R&C da Sporting, SAD?

Certamente notaram que os dados na tabela de cima estão em milhões de euros, tudo por extenso e que os parênteses que aparecem em relação a resultados negativos no R&C da SAD são substituídos pelo sinal de menos, mas não estou aqui a falar para contabilistas, mas sim para sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal e tornar a vossa leitura mais simples.

Qual a explicação para o suporte desta previsão?

Na primeira imagem, existem uns números que aparecem à direita e que são as notas que passarei a explicar de imediato.

1. Os resultados refletidos em diversas rubricas semestrais tendem para o dobro quando apresentados no relatório anual e isso verifica-se em todas as rubricas que têm assinalado o 1). Como tal, nestas rubricas o valor apresentado é exatamente o dobro, ainda que, como é óbvio, os valores nunca são iguais ao cêntimo, mas a variação é insignificante quando falamos de resultados na ordem dos milhões de euros.

Dentro de todas estas rubricas que coloquei como a tenderem para o dobro, a rubrica de Gastos com Pessoal poderá ser a que terá mais variabilidade, até porque ocorreram mexidas no plantel durante o mercado inverno, com entradas e saídas de jogadores, o Sporting conquistou a Taça da Liga e o Campeonato Nacional e isto irá implicar um aumento de custos nesta rubrica através dos prémios de performance desportiva do nosso plantel que estejam previstos nos seus contratos.

2. A rubrica Vendas e Prestação de Serviços engloba as principais receitas que são recebidas pela SAD: direitos de transmissão televisiva; patrocínios; vendas de merchandising (loja verde) e receitas de bilheteira (não estivéssemos nós em plena pandemia).

Como o Sporting recebeu 4,235 milhões de direitos de transmissão televisiva referentes à época anterior, só por aí já não faria sentido calcular pelo dobro esta rubrica. Se calculássemos pelo dobro, os 30,540 milhões, o valor seria 61,08 milhões. Se retirarmos os 4,235 milhões, o valor dá 56,845 milhões. A este valor retirei o valor de perdas estimadas no merchandising (loja verde).

É habitual no primeiro semestre fazer-se mais do dobro do resultado alcançado no 2º semestre e isto é facilmente entendido por ser a altura do lançamento dos novos equipamentos que ocorre por norma em julho, no 1º mês do período das contas, e também de uma boa 2ª fase de vendas que ocorre perto do Natal. Ainda que se tenha verificado um aumento de vendas da loja verde, no período de saldos, os preços desceram e, como tal, o valor faturado é menor.

Ainda que considere que até esteja aqui a estimar por cima, o número ficou assim arredondado para os 56 milhões de euros de receitas nas Vendas e Prestações de Serviços, ainda que o título de Campeão Nacional possa ter estimulado uma maior receita na loja verde.

3. É nos outros rendimentos e ganhos que se encontram os ganhos com competições europeias, nacionais, cedência de jogadores, etc.

Como é sabido, a eliminação precoce na Liga Europa reduziu quase a totalidade do valor recebido nesta competição. Nesta rubrica o valor foi calculado pelo dobro e retirado o valor da Participação nas Competições Europeias referente ao 2º semestre, uma vez que estes valores apenas se refletem no período em que são recebidos. O valor retirado foi dos 277 mil euros, conforme em baixo na tabela.

4. Os custos de mercadorias vendidas estão relacionados com os valores de aquisição de artigos que são vendidos na loja verde.

Se considerei que o resultado no 2º semestre vai ser inferior ao do primeiro semestre, o que é normal, independentemente de haver pandemia, os resultados com os custos de mercadorias vendidas também são afetados em termos proporcionais, quanto mais se vende, mais stock se compra, se vendemos menos no 2º semestre, também gastamos menos, daí que o valor não poderá atingir o dobro nesta rubrica.

5. O valor das provisões e perdas por imparidade, excluindo plantel, por norma estão associados a valores que ficam cativos para fazer face a processos judiciais e fiscais.

Ainda que o Sporting tenha processos pendentes, não há evidência que os mesmos, impliquem gastos extraordinários, como ocorreu na época passada em que tivemos de pagar um valor por termos despedido indevidamente um treinador que nunca chegou a treinar a equipa, daí que esta é a única rubrica que não necessita necessariamente de refletir um aumento de despesa entre o 1º semestre e o 2º.

6. Os valores dos rendimentos de transações de jogadores e os gastos com transações de jogadores apenas sofrem alterações do 1º semestre para o 2º, se ocorrer alguma transferência de jogador no mercado de inverno. É importante esclarecer que estes parâmetros apenas refletem valores de vendas de jogadores.

Neste mercado de inverno, o Sporting apenas transferiu Ristovski por 1 milhão de euros. Foi esse valor que foi acrescentado ao rendimento de transações de jogadores e 100 mil euros aos gastos com transações. Considerei o valor de 10% de comissão para o agente, ainda que por vezes os valores de comissão suportados pelo Sporting sejam acima desse valor.

Os valores de amortização são refletidos no dobro e isso implica logo que um valor líquido nas vendas de jogadores reduza bastante do 1º semestre para o que aparece no relatório anual.

É possível haver alguma grande alteração a esta estimativa?

Sim, é possível. O período em análise apenas termina a 30 de junho de 2021 e, como tal, uma venda de um jogador até essa data poderá ter um grande impacto no valor do resultado líquido do exercício.

Esta estimativa está feita sem considerar um possível encaixe financeiro até essa data. Uma excelente venda por valores semelhantes ao do Bruno Fernandes ou de um jogador da nossa formação até colocaria as nossas contas no verde, dentro do período em análise.

Este valor, perto dos 40 milhões negativos, significa que a situação financeira do clube é preocupante?

A demonstração dos resultados por si só não representa uma catástrofe, devem também ser considerados os resultados de posição financeira (os ativos e passivos) e a demonstração dos fluxos de caixa (dinheiro que entra e sai, questões de tesouraria).

É também importante considerar os cenários futuros, o encaixe através da participação na Liga dos Campeões, a valorização de jogadores no plantel que podem possibilitar bons encaixes financeiros através das suas transações, o acordo de patrocínio que se avizinha e que poderá permitir maior percentual de receita através das vendas da loja verde, pois um Sporting galvanizado, Campeão Nacional, poderá gerar mais vendas de merchandising e ainda, para terminar, o regresso da receita de bilheteira, caso a pandemia assim o permita.

2 thoughts on “Previsão de 40 milhões de prejuízo em 2020/21

  1. Não consigo concordar com esta análise e acho-a demasiado simplista. Fluxos de caixa, contas, etc, não são assim tão fáceis de deduzir quando temos uma direcção que mente nos R&C (como já abordei nas minhas análises). No entanto, quero-me focar no seguinte:

    “É também importante considerar os cenários futuros, o encaixe através da participação na Liga dos Campeões, a valorização de jogadores no plantel que podem possibilitar bons encaixes financeiros através das suas transações, o acordo de patrocínio que se avizinha e que poderá permitir maior percentual de receita através das vendas da loja verde, pois um Sporting galvanizado, Campeão Nacional, poderá gerar mais vendas de merchandising e ainda, para terminar, o regresso da receita de bilheteira, caso a pandemia assim o permita.”

    Ora bem

    1. A participação na LdC já está hipotecada com as contratações de Rúben Amorim e Paulinho. Só aqui falamos de cerca de 35M “dados” ao Braga, quando factorizamos todas as despesas com as transacções (IVA, comissões, etc). O prémio da champions, incluindo direitos de TV e acesso, sem contar com hipotéticas vitórias ou acesso aos oitavos, não deverá chegar aos 30M. Sim, eu sei que os custos destas contratações são repartidos por vários anos, mas o “boost” nas nossas contas será mera maquilhagem na realidade. Para não falar que falam de antecipar essas receitas em Junho.

    2. Quanto a valorização de atletas, os nossos atletas com mais potencial de valorização já se encontram com os passes retalhados, ou seja, temos que descontar à partida grandes valores dessas vendas. Mais ainda, podemos contar com a comissão fidelidade, que andará em média pelos 10%. De acrescentar que para vigorar no R&C anual como receita 20/21, vendas terão que ser efectuadas até 30 de junho, caso contrário transitam para o próximo ano.

    3. Ainda não conhecemos valores do acordo de patrocínio, pelo que especular sobre os mesmos é irresponsável. Ainda assim, não irá existir um boost assim tão grande no na receita de merchandising que possa ser considerado estatisticamente relevante.

    Nota: O mais preocupante é o escalar de dívida a fornecedores, que deve ter continuado nos últimos 3 meses, o antecipar de receitas de passes de jogadores, e a promiscuidade com Jorge Mendes, que nos leva a pagar muito e receber pouco.

    1. Olá Simão, antes de mais, obrigado pelo teu comentário.

      Neste texto encontra-se apenas uma previsão/estimativa para o apuramento do resultado líquido de 2020/21 e a explicação de como a mesma foi apurada que é apresentada nos R&C como demonstração de resultados.

      O teu comentário incide apenas sobre o último parágrafo do texto. Ainda que fale de outros assuntos financeiros, que são bastante pertinentes, também eles presentes nos R&C, mas são fora de âmbito no que diz respeito ao apuramento do resultado líquido anual, e esse foi o único assunto financeiro aqui abordado.

      O Bruno de Carvalho, enquanto presidente disse algo do género como ter assumido o prejuízo em 2015/2016 na Sporting, SAD (-32 Milhões) para no ano seguinte fazer o melhor resultado de sempre da Sporting, SAD, (30,5 milhões) em 2016/2017

      Isto para dizer que relativamente ao trecho que citaste, apenas estão mencionadas as receitas garantidas ( participação na Liga dos Campeões) e possíveis receitas (vendas de jogadores, aumento de merchandising, receitas de bilheteira) que poderão na próxima época, fazer com que o resultado líquido seja bastante diferente do que está previsto, da minha parte, para a época atual, e nada impede que no próximo ano, o resultado líquido venha a ser o melhor de sempre.

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