Rodas em Transição – Parte 2

A segunda parte da viagem pela atualidade dos desportos sobre rodas, desta feita pelo automobilismo e motociclismo.

Automobilismo

F1

Na atualidade do automobilismo começo pela F1 e pelo tão aguardado regresso que vai acontecer na Áustria já de dia 3 a dia 5 de julho, sem público e com imensas medidas de segurança.

Todos os membros dos staffs de cada equipa, cada piloto e cada pessoa ligados ao GP estão e vão ser todos controlados e todos cuidados vão ser tomados para que este regresso aconteça da melhor maneira. Todos os membros do staff, todos os pilotos, todos os diretores, bem como todos outros funcionários indispensáveis no paddock serão testados a cada dois dias. Já foi anunciado também que os testes vão ser realizados por uma autoridade oficial e os resultados irão constar de um sistema a ser usado em todas as corridas europeias. Outra das medidas, claro está, é o isolamento das equipas menos, como é evidente, nas boxes onde isso não é possível de ser realizado.

Outro assunto que tem marcado a atualidade, este infelizmente pela negativa, é a entrevista dada por Bernie Ecclestone à CNN, uma entrevista polémica, onde Bernie fala de racismo e do racismo dos negros. Como seria de esperar, quando alguém fala de uma forma estúpida sobre um assunto tão sério, ainda mais sendo o ex “boss” da F1, gera uma onda de indignação, com Lewis Hamilton que até aqui tem liderado e assumido a frente nas críticas a Bernie, a dizer entre outras coisas que Bernie era um ignorante. Lewis Hamilton não perdoou e não deixou muito por dizer na sua resposta.

Continuando na atualidade da F1, passamos agora para as mudanças dos pilotos com Daniel Ricciardo a ir para a McLaren e a Renault, que apesar de admitir que não quer gastar uma grande soma de dinheiro em contratações, dando prioridade ao investimento na melhoria dos carros, concedeu, na voz de Cyril Abiteboul, que Valtteri Bottas e Sebastian Vettel são opções da Renault para a vaga de Daniel Ricciardo. Outro dos nomes falados é o de Fernando Alonso que continua em busca de uma forma de regressar à F1. A Renault também anunciou que o russo Sergey Sirotkin vai continuar como piloto reserva da equipa.

Ainda na indefinição de pilotos, é dada como existente uma guerra pelo lugar na Aston Martin, futuro nome da Racing Point, entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel. O alemão recusou a Mercedes e os problemas da Renault podem fazer com que o futuro do piloto alemão passe pela Aston Martin.

Outra das noticias interessantes é a do final das obras em Interlagos, obras iniciadas em 2014 e que vão terminar em agosto. As obras consistem na melhoria das infraestruturas, bem como da cobertura do paddock que está quase concluída. Além da cobertura, o prédio de apoio também está a receber obras, isto quando o GP do Brasil ainda não é certo para o próximo ano, existindo vários rumores que as conversas para a renovação continuam de pé, mas ainda longe de estarem concluídas.

Para o fim deixei a notícia mais entusiasmante sobre a F1 que é o possível regresso a Portugal. O circuito Internacional do Algarve, em Portimão, está referenciado para acolher uma das provas da segunda metade do Campeonato Mundial de Fórmula 1. Existem vários circuitos a serem avaliados e um deles é o do Algarve, não sendo certo ainda, mas o rumor intensifica-se cada vez mais no que podem ser ótimas notícias para Portugal.

F2

Na F2 ficamos a saber como vai ser o restante calendário. As duas primeiras corridas acontecem na Áustria, em dois finais de semana consecutivo. As restantes corridas vão acontecer na Hungria, Inglaterra, também em jornada dupla, Espanha, Bélgica e Itália. As datas vão ser entre os meses de julho e setembro.

Dentro da F2, o ex F1 Jean Alesi teceu duras criticas ao atual modelo da competição, referindo os custos demasiados elevados que são necessários. Alesi confessou que teve de vender um dos seus Ferrari para conseguir o orçamento necessário para o seu filho Giuliano.

Fórmula E

Tal como na F1, F2 e outras, a Fórmula E anunciou o regresso das corridas que ainda restam nesta temporada. Vão ser seis corridas em nove dias em Berlim. Um plano louco contestado por muitos dos pilotos, como Gabriel Curty que considera que é um regresso “perigoso” e bastante “irresponsável”.

No que diz respeito à próxima temporada, a FIA revelou o calendário provisório com previsão de início para janeiro e encerramento em julho, com a Coreia do Sul, mas sem o Brasil. Começa a 16 de janeiro em Santiago, depois da ida ao Chile, vai ao México, Arábia Saudita em jornada dupla, China, Itália, França, Mónaco, Coreia do Sul, Alemanha, Estados Unidos e termina no Reino Unido também com duas corridas.

Das 14 etapas previstas, há uma prova a ser anunciada. Mesmo com datas definidas, os circuitos de Roma, Mónaco, Seul e Londres ainda estão sujeitos a homologação.

Motociclismo

Moto GP

Boas notícias para começar. A Ducati informou que, apesar da queda e da cirurgia, Andrea Dovizioso vai estar na prova em Jerez, marcada para 19 de julho. Dovizioso levou um susto, após uma queda em uma corrida de motocrosse em Itália. Ele caiu em cima do  ombro e fraturou a clavícula esquerda. Dovizioso foi levado rapidamente para o hospital, tendo sido submetido a uma cirurgia, o que apesar de tudo não o vai impedir de estar em Jerez.

Falando do regresso do Moto GP, o novo calendário conta com 13 corridas europeias entre julho e novembro e três blocos com três corridas consecutivas com o início a ser em Jerez. De realçar que 7 das 13 corridas vão ser em solo espanhol. A terceira etapa será o GP da República Checa em Brno, a 9 de agosto, antes de mais uma jornada dupla, desta vez na Áustria, no Red Bull Ring, a 16 e 23 de agosto, criando o primeiro de três blocos de três corridas consecutivas no calendário.

Depois disso, duas semanas de folga com as atividades a serem retomadas em Misano com mais uma jornada dupla, a 13 e 20 de setembro, seguido do GP da Catalunha a 27 de setembro, fechando assim o segundo bloco de três provas consecutivas. Depois de mais uma pausa, mais três finais de semana consecutivos. Começa com o GP de França, a 11 de outubro, e fecha com duas corridas em Aragão, a 18 e 25 de outubro. Estas duas corridas em Valência, a 8 e 15 de novembro, encerram as corridas em solo europeu, mas pode também ser o fim da temporada, isto se a Moto GP não conseguir realizar as corridas fora da Europa.

Restam Estados Unidos, Argentina, Tailândia e Malásia e neste mês de julho tudo deve ser decidido. Temos Alemanha, Holanda, Finlândia, Grã-Bretanha, Austrália, Japão, Itália e Catar, mas são corridas que já foram anunciadas como tendo sido canceladas. Além disso, a temporada não se vai estender para lá de 13 de dezembro e nem vai ter mais de 17 etapas, isto significa que pelo menos uma das provas na América e na Ásia vai cair, visto que o calendário já tem 14 corridas confirmadas.

No que diz respeito a movimentações há muita atividade. De realçar que 14 das 22 vagas do grid de 2021 já estão garantidas.

Como não poderia deixar de ser o grande destaque é a ida de Miguel Oliveira para a KTM, que vai ter a companhia de Brad Binder na equipa oficial. Danilo Petrucci e Iker Lecuona são as apostas para a Tech3. Pol Espargaró vai para a Honda, Jorge Martín vai para a Pramac Ducati. Uma das movimentações, em que só falta a oficialização, é a de Álex Márquez para a LCR Honda.

Das seis equipas oficiais, quatro já estão com as duplas fechadas. Marc Márquez e Pol Espargaró na Honda, Maverick Viñales e Fabio Quartararo na Yamaha, Álex Rins e Joan Mir na Suzuki, e Miguel Oliveira e Brad Binder na KTM.

Na Ducati prosseguem as negociações com Andrea Dovizioso, com o empresário do piloto a garantir recentemente que a assinatura deve estar para breve. Andrea Iannone é neste momento um dos temas mais falados. O piloto aguarda decisão da sua suspensão junto do Tribunal Arbitral do Desporto que o suspendeu por 18 meses, depois do positivo no teste de anti-doping realizado no ano passado. A Aprilia fica numa posição delicada, pois a equipa aguarda a decisão para saber se precisa de ir buscar um novo piloto ou se Iannone vai conseguir correr. Isto porque se Iannone for culpado só irá regressar em 2021 e, para já, o substituto vai ser Bradley Smith que, com isto tudo e se tiver um bom desempenho nesta temporada, pode acabar por passar de apenas substituto para piloto oficial.

No que se refere ao motociclismo, ficou-se a saber que não se vai realizar o EICMA em 2020. A organização do Salão de Milão anunciou o cancelamento da 78ª edição do evento para novembro de 2021, um dos eventos mais importantes e com mais de 100 anos e que assim, devido ao covid-19, será adiado para 2021.

Para concluir, falo de Alex Zanardi, o antigo piloto de F1 que sofreu um grave acidente de bicicleta. O italiano está em coma e, depois da segunda cirurgia, continua com prognóstico reservado. Ele continua, tal como o fez sempre, em luta, desta vez infelizmente pela vida. Por isso, a última palavra é a de que o grande Zanardi consiga vencer mais esta batalha tão complicada e que continue a inspirar tantos como tem feito até agora.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *