Sporting Anónimo: Diogo Maia Caetano


Diogo Maia Caetano é Product Designer e reside actualmente em Lisboa. Nascido em Coimbra e criado em Pinhel, Sportinguista desde sempre. Criador da proposta de redesign à aplicação MeuSporting.


Como te tornaste Sportinguista?

Desde que nasci que sou Sportinguista. Sou-o há tanto tempo que quando me surgem as minhas primeiras memórias de infância, sei que já era Sporting. O meu pai passou-me este grande amor, a encher-me de histórias do Sporting, do nosso ecletismo, dos nossos títulos, do cachecol do Sporting no leão do Marquês de Pombal na festa do título, do álbum da Juventude Leonina “Só eu sei porque não fico em casa”, de 2012, dos nossos jogadores de futebol sénior masculino como Yazalde, Yordanov e Balakov.

Confesso que não consigo justificar como sou Sportinguista. Para mim ser Sportinguista é tão natural como respirar. Sou Sporting desde sempre e para sempre.

Para ti, qual foi o momento mais eufórico que viveste ao vivo pelo Sporting? E o mais frustrante?

Ao vivo, a quantidade de momentos é reduzida. Infelizmente, nunca tive grande possibilidade de acompanhar fisicamente o meu Clube. Mesmo que não tenham sido ao vivo, há dois momentos que faço questão de destacar, que são as conquistas do Futsal e do Hóquei em Patins nas suas respetivas finais das Champions. Chorei desenfreadamente em cada uma delas.

Ao vivo, a destacar uma, irei sempre destacar a primeira taça da liga, conquistada em Braga, contra o Vitória de Setúbal em 2017/2018. Estive de pé desde o primeiro minuto. A espernear como tudo e todos. E juro que no final das grandes penalidades, quando ganhamos, eu festejei como se fosse a final da Champions.

O momento mais frustrante eu acabaria por dizer [que foi] esta temporada. Finalmente tive a possibilidade de ver o Sporting ao vivo no estádio José Alvalade XXI. Fui ver o jogo com alguns amigos da Juventude Leonina. Aquele dia foi uma autêntica montanha-russa no que às emoções diz respeito.

Pela positiva, o entusiasmo, a felicidade de finalmente estar em casa, no estádio mais bonito que existe.

Pela negativa porque conseguimos perder 3-2 contra o Rio Ave, num jogo em que o Coates faz 3 faltas para a grande penalidade.

Qual a modalidade, excluindo o futebol, que mais gostas de ver? Porquê?

Não consigo destacar uma modalidade. Adoro basquetebol, inclusive já fui ao Pavilhão João Rocha ver um ou outro jogo. Sempre que posso, no tempo que tenho, gosto de ver o futsal, o hóquei em patins, o voleibol, o andebol. Eu tento acompanhar ao máximo tudo o que esteja relacionado com o Sporting.

O que esperas para o futuro do Sporting?

Confesso que não sei o que esperar e é com muita tristeza que fico sempre com o pé atrás no que às expetativas diz respeito. Acho que tudo o que veio a acontecer desde o final da temporada de 2017/18 criou uma instabilidade gigante em torno do Clube.

Torna-se difícil fazer prognósticos sobre o que poderá acontecer. Acho que a primeira pergunta, que é também a mais triste, que devemos fazer a nós mesmos é: Ainda temos o Clube?

O que aconteceu em Alcochete é gravíssimo, mas tudo o que aconteceu no Sporting depois desses acontecimentos é completamente surreal e um atentado ao futuro de qualquer clube.

Esqueçamos candidatos, presidentes e jogadores por um momento e olhemos apenas para o que interessa, o Sporting. Abdicámos da nossa dignidade e da nossa honra para segurarmos jogadores que rescindiram com o nosso clube e com os seus sócios. Não vale a pena entrar em debates sobre as rescisões, apenas quero constatar dois exemplos:

Há uns anos, com a nova guerra entre a Rússia e a Ucrânia, havia jogadores do Shaktar Donetsk a afirmar que enquanto iam de autocarro para um jogo, passavam por eles tanques, bombas rebentavam… e, no entanto, ninguém rescindiu. Na altura até foi o Bernard, jogador do Shaktar Donetsk, quem veio falar sobre essa situação.

Também não há muito tempo, num jogo da Champions League, uma bomba rebentou ao pé do autocarro do Borussia Dortmund, tendo inclusive ferido jogadores, um deles um central formado no Barcelona. E também ninguém rescindiu.

Do nosso lado, vemos jogadores a afirmarem que tinham sido agredidos, quando chegam a tribunal, de repente já não foram.

Para mim, esses jogadores, por muito bons que fossem, nunca teriam regressado. Foi um erro tremendo, porque esse regresso feriu o Sporting onde nenhum clube pode ser ferido. Que exemplo estamos a dar aos nossos jogadores de formação, sabendo que eles que se rescindirem o contrato, nós vamos tentar o seu regresso e iremos propor melhores condições do que aquelas que tinham anteriormente?

A curto prazo apenas posso esperar e lutar por transparência, que voltem a existir eleições livres, com todos aqueles que acham que devem ser candidatos.

A situação atual está como está porque foi vetada a candidatura ao principal candidato à presidência do Sporting Clube de Portugal. Se isto nunca tivesse acontecido, e caso este candidato tivesse perdido efetivamente, a situação atual certamente não seria esta.

Realizaste um novo concept design para a aplicação meusporting. O que te levou a fazê-lo e quais as propostas de melhoramento que tiveste em conta?

Antes de abordar a aplicação que desenhei, quero esclarecer que este projeto não passa de um concept design. Esta aplicação foi feita por mim, para mim e não tenho qualquer tipo de ligação oficial com o Sporting. A ideia de redesenhar a aplicação do Sporting surgiu com o passar do tempo, ao utilizar ainda a aplicação do Clube.

Tinha como finalidade de desenhar algo que gostaria de usar. Foi com esse motivo que me baseei. Publiquei o meu trabalho no dia 1 de Julho de 2019, de modo a marcar presença na festa de aniversário do Sporting.

Custa-me ter de o dizer, mas vamos ser sinceros: a nossa aplicação é feíssima. Não conheço nenhum Sportinguista que goste dela.

Visualmente, a aplicação foi desenhada para um telemóvel de 2008. Na altura era fabulosa. Mas o tempo passou e a verdade é que a aplicação ficou presa em 2008. É tão antiquada que daqui a uns anos, a manter-se igual, facilmente podemos dizer que é uma gravura feita por um paleolítico.

No que à experiência do utilizador diz respeito, também fica muito aquém. O único momento que me envolvo com a aplicação, enquanto sócio, é quando coloco as minhas credenciais. Posso ver a minha categoria de sócio e pouco mais. Nem sequer consigo ter acesso à Loja Verde. Como tal, eram estes os dois fatores que defini como prioritários para resolver.

Em termos conceptuais, quis focar-me na emoção de ser Sporting. Foi com esse intuito que eu acabei por desenhar o layout inicial da maneira como desenhei, com o emblema do Sporting a bater ao ritmo de um coração.

Enquanto utilizador, a primeira coisa que gostaria de ver quando entrasse na aplicação seriam as últimas notícias e os próximos jogos. E é o que acontece nesta proposta: temos as últimas notícias como destaque, mas com um clique podemos passar o foco para os próximos jogos das várias modalidades do clube. Também aqui desenhei a possibilidade de comprar bilhetes.

O que nessa experiência de utilização da aplicação na minha perspetiva é que é prático e direto. Ainda por cima como sócio, posso querer fazer outro tipo de ações. Então, nesta proposta existe também Loja Verde, onde podemos definir artigos como preferidos, definir qual o tamanho da camisola, adicionar essa camisola ao carrinho, proceder à sua compra etc. Também foi adicionado um layout onde podemos ver a tabela classificativa do Sporting nas suas diferentes modalidades. Esta tabela classificativa também destaca quais os clubes que estão em condição de garantir o apuramento para as respetivas competições internacionais.

Quando vou ver o calendário do Sporting, tenho sempre uma finalidade, que é ir ver um jogo. À parte da minha agenda pessoal, há informações que são relevantes para a minha tomada de decisão, sendo que há duas sempre em destaque: o local e as horas. Sei que se o local e as horas forem práticos, eu sei que vou poder ir. E onde é que eu iria comprar o bilhete? Tendo isso em consideração, juntei o útil ao agradável, e desenhei este layout para que seja possível comprar um bilhete naquele exato momento.

À parte disto, e o que também me motivou, acho que um clube como o Sporting nos tempos que correm, tem de ter uma aplicação para os seus adeptos e sócios. Temos de ter essa interação. Temos de ter a capacidade de promover o nosso ecletismo, mostrar os nossos títulos, o nosso palmarés, as nossas equipas, as tabelas classificativas das suas respetivas modalidades, a possibilidade de comprar bilhetes para os jogos qualquer que seja a modalidade. Temos de conseguir aceder à Loja Verde para comprar artigos.

Temos sobretudo de dinamizar o maior clube português e o segundo clube do mundo com mais títulos.

Viva o Sporting Clube de Portugal!

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