Sporting CP: o leão histórico ávido por títulos

Sporting CP: o leão histórico ávido por títulos


O Sporting Clube de Portugal é uma das melhores equipas do país e faz parte dos “3 grandes”. Um clube histórico, mesmo no cenário europeu, onde foi a primeira equipa a vencer o primeiro jogo da Taça dos Cubes Campeões Europeus de 1955, a atual Liga dos Campeões da UEFA.

Inúmeras lendas carregam o “Leão Rampante” desde a sua fundação, em 1906. Muitas dessas lendas vieram da prolífica academia de jovens em Alcochete, uma das únicas academias do mundo a formar dois vencedores do Ballon d’Or: Luís Figo e Cristiano Ronaldo.

Mas os tempos de sucesso terminaram e o clube está a passar por uma longa seca que dura há 18 anos sem ser campeão do campeonato nacional.

Uma seca que durará mais um ano. Nesta temporada, com a liga interrompida pela pandemia de coronavírus, embora o seu reatamento tenha sido anunciado para 30 de maio, o clube está fora da disputa pelo título nacional, ocupando o quarto lugar com acesso à UEFA Europa League, com a mesma diferença entre o seu perseguidor e a equipa acima: quatro pontos.

Como se a situação não fosse suficientemente negativa, em Alvalade também se atravessa uma crise institucional que afeta negativamente o desempenho desportivo. Há uma figura que resume a deterioração que a instituição leonina sofre: 10 milhões de euros, o valor pago pelo novo treinador Rúben Amorim, tornando-o no terceiro treinador mais caro da história.

Uma verdadeira loucura, principalmente se olharmos para a sua carreira: o ex-jogador do Benfica (o rival máximo dos sportinguistas) acabou de iniciar a sua carreira como treinador em 2018, depois de alguns meses no Campeonato Português (terceira categoria do país), dividindo entre Casa Pia e SC Braga B.

Chegou à equipa principal dos bracarenses como substituto de Ricardo Sá Pinto. Com apenas 13 jogos e o seu primeiro título, a Taça da Liga, Ruben Amorim tornou-se no  treinador do Sporting CP.

O contexto é irreal, mas, para ser justo, a avaliação de sua contratação terá de esperar, porque o coronavírus apenas permitiu sua estreia com uma simples vitória por 2 x 0 sobre o Desportivo Aves, lanterna vermelha da Liga NOS.

De qualquer forma, a única pessoa responsável pelo período complicado pelo qual o clube está a passar é o presidente Frederico Varandas.

Desde a sua vitória nas eleições de setembro de 2018, Rúben Amorim é o sexto treinador sob o seu mandato, o quarto nesta temporada.

José Peseiro, Tiago Fernandes, Marcel Keiser, Leonel Pontes, Jorge Silas e, agora, Rúben Amorim; nenhum foi capaz de reverter a tendência desportiva do clube.

No total, em menos de 2 anos, mais de 12 milhões foram gastos em treinadores, mais do que foi gasto em qualquer jogador no mesmo período. De fato, o treinador é ainda mais caro do que as contratações de Bruno Fernandes ou Marcos Acuña e até de Bas Dost, a contratação mais cara do Sporting no século XXI.

Seguindo a linha dos jogadores, a política de transferências é um dos pontos mais fracos do mandato de Frederico Varandas. A venda de Bas Dost, por quase metade do valor de compra, reflete uma gestão ineficaz e desastrosa. A grande perda de Bruno Fernandes, o melhor jogador do campeonato, por apenas 55 milhões, é mais um fracasso de um clube que agora terá de enfrentar o final da temporada sem o único jogador que salvava os jogos.

E as contratações não melhoraram a equipa, se alguma coisa pioraram, mostrando que não há critérios nas contratações (embora muitos mencionem que é Jorge Mendes quem administra as contratações do clube).

De todas as contratações, nenhuma conseguiu afirmar-se na equipa titular e mesmo muitas dessas contratações  não tiveram minutos, como é o caso de Fernando ou Jesé, este último prematuramente de regresso ao PSG.

Depois de treinadores e jogadores, a outra incógnita do futebol são os adeptos.

Antes da chegada de Frederico Varandas, o estádio José Alvalade registava uma média de 43.332 espectadores em jogos para a liga portuguesa. Os maus resultados e a sua luta contra as “claques” fizeram com que esses números diminuíssem progressivamente, chegando a metade da capacidade do estádio, como nas últimas jornadas com menos de 30.000 espectadores.

De facto, a barreira dos 40.000 espectadores foi apenas ligeiramente ultrapassada nos grandes jogos contra o Porto e o Benfica. Alguns dados mostram que o adepto sportinguista está desencantado com o clube.

Todos os dados apontam Varandas como o responsável pela crise em Alvalade, mas os seus erros não devem surpreender os adeptos, ou pelo menos os adeptos mais atentos.

Temos de recuar dois anos para entender o aparecimento de Frederico Varandas. O então presidente, Bruno de Carvalho, caracterizou-se pela boa administração, mas rodeada por muitas controvérsias. O seu fim chegou quando foi acusado de ser o responsável pelo ataque ao centro de treinos levado a cabo por ultras com agressões no balneário, que causaram a rescisão de nove jogadores-chave do clube.

Frederico Varandas, à época diretor clínico da primeira equipa, aproveitou a crise para anunciar a sua candidatura e vencer as eleições graças à ajuda de uma comunicação social interessada e controversa. Certamente não foi uma vitória de Varandas, mas uma derrota de Bruno de Carvalho, da qual Varandas saiu beneficiado.

Mas Varandas é médico, não está treinado para assumir a administração de um dos clubes mais importantes do país, não apenas no futebol, mas nas muitas e bem-sucedidas modalidades.

Os dados desportivos e financeiros confirmam os seus erros, mas o pior é a imagem da instituição. Todas as crises herdadas, para além das criadas sob o seu mandato, fizeram do clube uma piada no cenário nacional. Dois dos seus últimos treinadores foram os protagonistas de uma das últimas controvérsias: nem Jorge Silas nem Rúben Amorim possuem o estatuto de treinador necessário para serem treinadores da primeira equipa.

Além disso, no caso de Rúben Amorim, o seu alto preço e a forma como foi contratado (pelas costas do seu clube e a meio da temporada) causaram o desgosto aos demais adeptos do futebol no país.

É um tópico a ser tratado mais profundamente, mas no final, o Sporting CP diminuiu a sua categoria por causa de líderes irresponsáveis.

Confesso, nesta minha primeira colaboração, que não sou um adepto fiel do Sporting CP, mas apenas um português (com dupla nacionalidade) que deseja o sucesso de Portugal na Europa e, para isso, precisamos de recuperar o histórico Sporting CP. Um clube que faz parte da história do futebol nacional e que se pode orgulhar de ser o único clube a levar Portugal no seu nome: o Sporting Clube de Portugal.

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