The Middle Way

Aos dias hoje assistimos dentro do Sporting a um confronto geracional de ideias e facções sem igual, fruto da falta de títulos no futebol profissional masculino da Equipa A, o que leva a existência de várias visões/estratégias para o clube.

Dos dois lados da barricada encontram-se o famoso “Projecto Roquette” e o “Projecto Bruno de Carvalho” e, apesar de serem tão distintos, têm o mesmo objectivo, obter resultados desportivos, títulos.

Passando aos “pormaiores”…

O “Projecto Roquette” iniciou-se na presidência de Santana Lopes pela mão de José Roquette, membro do Conselho fiscal, fora da exposição mediática. Começava, assim, um projecto inovador que iria tornar o Sporting numa empresa com clientes e não sócios, com futebol profissionalizado com vista à obtenção de resultados desportivos e boa gestão ao nível financeiro.

O “Projecto Roquette” teve várias caras/vários seguidores, desde a mais mediática como o próprio José Roquette, como Dias da Cunha, Soares Franco, José Eduardo Bettencourt, Godinho Lopes e, actualmente, Frederico Varandas.

Vamos aos factos.

O “Projecto Roquette”, sob as lideranças das personalidades acima referidas, deixou ao Sporting Clube de Portugal:

– Titulo de Campeão Nacional da equipa A (99-00) / (01-02);

– Construção do Complexo Alvalade XXI (estádio + edifícios circundantes);

– Construção da Academia de Alcochete;

– 32.518 Sócios pagantes;

– Perda de modalidades e falta de competitividade nas que permaneceram;

– Um clube sem Património, alienado por Soares Franco;

– Mais de 450 milhões de euros de dívida acumulada em todo o Universo Sporting.

Conclusão:

Foi de facto um projecto inovador que modernizou o clube até certo ponto, com um novo modelo de negócio e a construção de um estádio que, apesar dos diversos erros estruturais que o tornam mais problema que solução, é a casa dos Sportinguistas e a construção de uma academia que, apesar de continuar a ser bastante útil ao nível da produção de talentos, tem o problema da sua localização que complica toda uma logística inerente ao negócio futebol, formação e captação de talentos.

Depois de tantos anos seguidos sob o desígnio do “Projecto Roquette”, o mesmo termina no reinado de Godinho Lopes, com resultados muito prejudiciais, deixando o clube com poucos sócios pagantes (32.518 sócios), uma dívida acumulada de mais de 450 Milhões de Euros e sem património. Actualmente, o “Projecto Roquette” está sob direcção de Frederico Varandas.

O Projecto “Bruno de Carvalho”, iniciado na presidência de Bruno de Carvalho, visava dar aos sócios e adeptos todo o destaque, tornando-os no maior activo do Sporting Clube de Portugal. A este projecto estava, também, inerente toda uma gestão financeira e desportiva criteriosa do Mundo Sporting com o lema “vencer tudo em todas as competições que o Sporting esteja presente”.

Voltemos aos factos,

O “Projecto BdC”, sob a liderança de Bruno de Carvalho, deixou ao Sporting Clube de Portugal:

– Aumento exponencial do número de sócios pagantes;

– Aumento do património com a construção de um novo Pavilhão para as modalidades;

– Diminuição substancial da dívida acumulada do Grupo Sporting;

– Aumento do número de modalidades do Clube;

– Modalidades pujantes e vencedoras;

– Contas da SAD equilibradas e com resultados positivos nos exercícios;

– Falta de títulos de Campeão Nacional de Futebol, equipa A.

Conclusão:

Um projecto que, virado para o máximo rigor ao nível financeiro e da gestão e com a máxima exigência desportiva, tinha no sócio e adepto a sua base. Com um modelo de gestão competente, transparente e organizado, os resultados financeiros foram aparecendo com naturalidade. Os resultados desportivos foram galvanizadores, principalmente nas modalidades, tendo como ponto alto a construção da “Casa das Modalidades”, onde se respira vitórias e Sportinguismo.

Num clube gerido com e pela paixão, nem sempre tudo o que é amor acaba da melhor forma. Bruno de Carvalho deixa um clube financeiramente estável, com um plantel principal cheio de activos valorizados e com um contrato televisivo de mais de 500 Milhões de Euros, mas sem os títulos de Campeão Nacional de Futebol.

Hoje em dia assistimos a um clube sem liderança, com o estádio vazio aquando dos jogos da equipa principal, resultados desportivos muito fracos no futebol e nas modalidades, uma gestão financeira e desportiva medíocres e uma comunicação bélica e divisionista que tem levado a uma queda acentuada do número de sócios no Clube.

Depois de dois projectos totalmente diferentes na sua génese e com resultados financeiros e desportivos bastante distintos, a conclusão a que se chega é a de um Sporting totalmente fraccionado, órfão de um caminho, uma liderança que volte a unificar os dois pólos do Universo Sporting.

Se nos pólos, o Sporting não consegue encontrar a tal estabilidade e consenso que trará a união, nem os resultados financeiros e desportivos, talvez a solução passará pelo “the middle way”, porque, no fundo, o que nos une é o mesmo que nos separa, o Sporting Clube de Portugal.

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