Três mosqueteiros sem rumo e uma enorme falácia

Fomos, na passada sexta-feira, brindados pela surpreendente disponibilidade do Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal – Dr. Rogério Alves – para receber três associados do Clube, tendo em vista uma revisão estatutária que preveja a introdução de uma segunda volta nos actos eleitorais do Sporting Clube de Portugal.

Se a disponibilidade demonstrada por Rogério Alves é de salutar, pois a sua disponibilidade para ouvir as preocupações dos Sócios do Sporting Clube de Portugal bem sabemos que é totalmente inexistente, não menos o é a iniciativa destes associados, assim fosse a sua proposta de revisão estatutária, transparente, democrática e abrangente em vez de, infelizmente, se revelar pouco clara quanto aos seus objectivos, aversa a um processo democratizador do Clube e sectária na medida em que visa continuar a “defender” apenas alguns sectores do Sporting Clube de Portugal.

Entendo que para os Sportinguistas mais desatentos, a proposta apresentada por Vitalino Canas, Fernando Tavares Pereira e Joaquim Coutinho Duarte pareça consistir num processo democratizador do Sporting Clube de Portugal e que vise representar a maioria de vontade dos Sportinguistas, evitando que no futuro existam Presidentes eleitos que não representem a vontade da maioria dos Sportinguistas, tal como em 2018 sucedeu com Frederico Varandas que venceu as eleições apesar de não ser o candidato representativo da maioria dos Sócios participantes dessas Eleições.

Veja-se que nos últimos meses vários sectores do Sporting Clube de Portugal têm veemente vindo apresentar aquelas que são as suas propostas para um Sporting que continue a ir ao encontro dos seus interesses em vez de, juntos, trabalharmos para um Sporting democrático e transparente nos seus processos, evitando assim suspeição e clima de guerrilha que em nada abonam a favor da estabilidade que um Clube necessita de ter para alcançar o sucesso, senão vejamos:

  1. Introdução do sistema de i-voting;
  2. Introdução de uma segunda volta nas eleições para os Órgãos Sociais do Clube;
  3. Fim das Assembleias Gerais nos moldes em que actualmente as conhecemos entregando a decisão dos sócios nas mãos de um conjunto de notáveis celebridades;
  4. Introdução de eleições primárias onde, pasmem-se, até os nossos rivais poderiam participar influenciando e interferindo na decisão do futuro da maior potência desportiva nacional – o Sporting Clube de Portugal;

Aos proponentes e meus consócios, das acima referidas propostas resta-me apelar: por favor pensem no Sporting, no seu futuro e nos seus Sócios em vez de continuarem a andar a soldo dos interesses mais obscuros e destrutivos do Sporting Clube de Portugal. Pensem, por favor, no Sporting dos nossos filhos, dos nossos netos e no legado que lhes queremos deixar, não faltando por aí exemplos que fortemente nos facilitam o pensamento e escolha de que futuro queremos para o Clube, como são por exemplo o caso do Desportivo das Aves, do Valência ou do Belenenses.

Aos Sócios do Sporting Clube de Portugal permito-me deixar a seguinte reflexão: o Clube só alcançará sucesso desportivo e financeiro com estabilidade associativa e directiva. Contanto, tal estabilidade só é possível de alcançar com processos transparentes e democratizadores da vida associativa do Clube que não deixem qualquer margem para suspeições ou conspirações em torno das mesmas. A introdução do i-voting, de uma segunda volta eleitoral ou a introdução de eleições primárias, creiam, só virão acicatar mais os ânimos entre Sportinguistas, só virão acentuar a clivagem existente entre sectores de opinião e só prepetuarão no Clube uma dinastia que há muita se revela tóxica e desinteressada do sucesso do Clube: a dinastia dos negócios e dos interesses.

O Sporting Clube de Portugal tem um futuro ambicioso e promissor à sua frente. O Sporting Clube de Portugal tem um futuro de Glória e sucesso à sua frente. Contudo, recordem-se os Sócios do Clube que essa ambição, glória e sucesso fica intrinsecamente dependente das decisões que tomarmos hoje.

Se queremos transparência e democracia no Sporting Clube de Portugal temos de optar por uma mudança que represente todos os Sócios, todos os sectores de identidade do Clube e que termine com a senda de dúvida e guerrilha interna: atribuição de um voto por cada Sócio, com excepção dos Associados com, por exemplo, mais de 15 ou 20 anos de filiação, em relação aos quais, naturalmente, se deveria premiar a sua antiguidade com a atribuição de, por exemplo, mais 1 ou 2 votos em relação aos restantes.

Repare-se que a aprovação desta proposta pelos Sócios do Clube permitiria que com uma só alteração estatutária se resolvessem as restantes propostas entretanto apresentadas, pois com um voto por cada Sócio, a vontade dos Sportinguistas estaria sempre verdadeiramente expressa e presente em todas as decisões para o Clube.

Com tanta desunião, com tanto clima de suspeição, falta de transparência e guerrilha; com problemas graves a nível financeiro e desportivo; será que, face a isto, a maior prioridade para o Sporting Clube de Portugal é a introdução do i-voting? Ou a urgência de manter opacidade dos processos e procedimentos, alegadamente, democráticos na vida activa do Clube, obrigam à introdução do i-voting?

Não receiem acabar com os interesses instalados, não receiem acabar com hábitos enraizados e ultrapassados e recordemo-nos todos que se consideramos a proposta de um voto por cada Sócio algo de elevada sensibilidade é então porque de facto esta é uma proposta que sem dúvida contribuirá para a estabilidade e sucesso do Sporting Clube de Portugal.

Viva o Sporting Clube de Portugal!

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