Um Sporting that I used to know

Joaquim Guimarães da Costa – Sócio do Sporting Clube de Portugal desde 1997; Mestrado em Gestão de Empresas; Administrador de Empresa;

Atravessamos globalmente, senão o maior, dos maiores desafios à nossa resistência, criatividade, sobrevivência e unidade enquanto sociedade. O desafio que nos é colocado é cego, não atendendo a credos, raças, partidarismos ou até mesmo preferência clubística, obrigando-nos, se a ele queremos resistir e vencer, a responder e actuar em unidade, a uma só voz e por um bem maior que é de todos nós.

O período de confinamento a que recentemente fomos sujeitos foi (e para alguns continua a ser), o primeiro dia do resto das nossas vidas. Em Portugal, ultrapassámo-lo com distinção, bravura, em unidade e com os olhos postos no futuro, apesar das incertezas que este nos reserva. Fizemo-lo porque uma vez mais, este teste não compreendeu credos ou raças, partidos ou clubes, não nos selecionou, mas sim sujeitou transversalmente todos às suas imposições: o confinamento.

Nos dias que correm e com as primeiras medidas de regresso à “normalidade” possível, surgem os primeiros sinais que a união com que respondemos ao primeiro teste se começa a desvanecer, a meu ver, por uma razão simples: não aceitamos nem entendemos discriminação ou contraste quando a alegadamente todos são pedidos sacrifícios; não aceitamos nem entendemos que uns possam retomar celebrações religiosas e outros não; não aceitamos nem entendemos que uns sejam denominados de festivais (e por isso não podem ocorrer) e outros não o sejam (e por isso podem ocorrer apesar de também aglomerarem em si uma grande quantidade de pessoas). Este sentimento de injustiça fará ruir a nossa unidade enquanto sociedade, receando que, por isso, passemos a fazer justiça segundo as leis de cada um de nós.

No Sporting Clube de Portugal, vivemos, num passado recente, anos de verdadeira união, celebrando as vitórias e os golos sem receio ou preconceito de abraçar o nosso “vizinho” de bancada. Vivíamos o Sporting abertamente, fosse na rua, no estádio ou onde fosse, agindo em uníssono e cerrando fileiras por um Sporting de todos e para todos, por um Sporting vencedor e acutilante, por o tal bem maior que atrás referi: o amor de toda uma vida – o Sporting Clube de Portugal.

E porque é que o fazíamos? Também aqui a resposta me parece simples: quem nos liderava não criava discriminação ou contraste, demonstrando-nos que só uma coisa interessava: o nosso bem maior, o nosso Sporting Clube de Portugal e a defesa intransigente dos seus interesses, cerrando fileiras e combatendo quem não nos respeitasse, defendendo o nosso património com uma garra que, a tantos de nós, nos fazia replicá-la nos desafios mais simples do nosso dia-a-dia.

A 23 de Junho de 2018, a união, a verdadeira, com que vivíamos o Sporting Clube de Portugal desapareceu, passando cada um de nós, de acordo com o seu sentimento de injustiça, revolta e discriminação, a fazer justiça pelas suas próprias leis. Sentimos, nesse dia, que não nos deixaram falar, não nos quiseram ouvir, amordaçando-nos com a força de quem julga que o Sporting não é dos seus Sócios, com a força de quem julga que o Sporting pode ser de uns e não de todos, não entendendo que o Sporting, o verdadeiro, o que nos faz chorar, rir e viver, está dentro de cada um de nós.

O verão de 2018 e as existentes Eleições aos Órgãos Sociais do Clube foram mais um duro golpe na nossa unidade, na nossa família, na nossa capacidade de resposta e de defesa do nosso bem maior, pois, também aqui, não nos deixaram falar, não nos deixaram votar, não nos deixaram escolher que futuro pretendíamos para o Sporting Clube de Portugal.

Prometida que foi a “união” (“…uma palavra que é bonita e fica sempre bem…” – Frederico Varandas in SIC, 06.05.2020), o Sporting nunca viveu tempos de tão grande fracionamento, divisionismo e de aplicação da justiça que cada um entende ser a que melhor defende o seu Sporting, aquele que se encontra dentro de cada um de nós. De escumalha a descalços, já todos sentimos o contraste e a discriminação promovida por esta Direcção, sendo o maior prejudicado deste “novo estilo de vida” sportinguista o próprio Clube.

Não haverá união enquanto não sentirmos todos que não há discriminação, não há um Sporting de “Varandistas” e um Sporting de “Brunistas”, não há Direitos para uns que se aplicam de forma diferente para outros. Quem dirige o Sporting não pode olhar a “sportinguistas” – somos todos Um, somos todos Sporting! É imperativo que voltemos, juntos, a amar o Sporting! É imperativo que actuemos em unidade, a uma só voz e por um bem maior que é de todos nós: o Sporting Clube de Portugal!

É imperativo que a Direcção presidida por Frederico Varandas pare com todos os actos discriminatórios e contrastantes quando a todos nos é exigido que soframos e nos sacrifiquemos pelo Sporting Clube de Portugal; não aceitamos nem entendemos que uns sejam filhos de Varandas e outros, filhos do Diabo.

É imperativo voltarmos a abraçar o nosso “vizinho” de bancada!

Saudações Leoninas

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